Sérgio Moro não tem culpa, mas também não tem sorte

O ex-juiz Sérgio Moro, candidato do PODEMOS a presidente da República, deve guardar esta data: sexta-feira, 4/3/2022.

Nesse dia, uma explosão matou dois operários numa fábrica que ele visitava; e um dos seus apoiadores protagonizou um escândalo.

Eleito deputado estadual com quase 500 mil votos, Arthur do Val, vulgo Mamãe Falei, revelou seus instintos mais baixos e perversos.

A seu respeito, antes que viajasse à Ucrânia na companhia do amigo Renan Santos, Moro festejara no Twitter:

“[Eles foram] reportar in loco o conflito. Também angariaram ajuda financeira para amparar os refugiados. É sempre louvável quando saímos do discurso para a prática”.

Só que os dois não reportaram “in loco” o conflito; e quanto aos refugiados, seu interesse foi outro.

A revelação de áudios gravados por “Mamãe Falei Demais” custará o mandato dele e a renúncia à candidatura ao governo paulista.

“Agora me pegaram. Estou fodido”, reconheceu Do Val em vídeo que vazou; assim como os áudios postados no WhatsApp.

Duval tem razão. Está para nascer um político, tanto mais em ano eleitoral, que sobreviva ao que ele disse sobre as ucrânias:

“Detalhe, hein, mano, elas olham. E vou te dizer: são fáceis porque são pobres”.

“Mano, eu juro, eu contei: são 12 policiais deusas. Mas deusas que você casa e faz tudo que ela quiser. Assim, eu tô mal. Eu não tenho nem palavras para expressar. Quatro dessas eram minas que você, mano, se ela cagar você limpa o cu dela com a língua.”

 “A fila das refugiadas… Sei lá de 200 metros ou mais e só deusa. É sem noção, cara, é fora de série. Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui. Eu tô triste porque é inacreditável.” 

“Você nunca pode ir para as cidades litorâneas. Você vai para as cidades normais, porque aí você pega as minas no mercado, na padaria. A recepcionista do hotel que deu em cima de mim aqui é… E essas cidades mais pobres, elas são as melhores.”

Moro apressou-se a divulgar uma nota de protesto:

“Lamento profundamente e repudio as graves declarações do deputado Arthur do Val divulgadas pela imprensa. O tratamento dispensado às mulheres ucranianas refugiadas e às policiais do país é inaceitável em qualquer contexto”.

O ex-juiz não tem culpa, mas sorte também não tem. Depois de ter que explicar quanto ganhou como sócio de um escritório de advocacia americano que defendeu acusados pela Operação Lava Jato, terá que explicar porque juntou-se a tipos como do Val.

O estrago em sua candidatura à vaga de Bolsonaro será grande. Bolsonaro e Lula estão rindo de Moro à toa.