Sem pregão na B3, ADRs brasileiros seguem mercados globais e recuam no feriado de Corpus Christi

Com a B3 fechada nesta quinta-feira (16), devido ao feriado de Corpus Christi, o termômetro do mercado para os investidores migra os ADRs (American depositary receipts), recibos de ações de empresas brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos.

E a manhã não começou com um ambiente positivo nos mercados. Às 10h55, o índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne as principais empresas brasileiras listadas na B3 com recibos de ações negociados nos EUA, caía 3,65%, cotado aos 16.806 pontos.

O recuo chegava a superar o de alguns dos principais índices de ações americanos, que devolviam parte dos ganhos obtidos na véspera. O S&P 500 caía 2,71% no mesmo horário, aos 3.687 pontos, enquanto o Dow Jones recuava 2,27%, aos 29.976 pontos. O Nasdaq, por sua vez, caía 3,04%, aos 10.761 pontos.

Dentre os 20 principais ADRs brasileiros, as maiores quedas aconteciam entre as empresas aéreas Gol e Azul, seguidas por CSN e Petrobras. Nenhum deles registrava alta.

Confira o desempenho dos principais ADRs de empresas brasileiras nesta quinta-feira (16), dia de Bolsa fechada no Brasil:

Empresa ADR Preço (em US$) Variação (%)
Azul AZUL 7,76 7,62
Gol GOL 3,72 7,00
Petrobras PBR 12,09 5,40
CSN SID 3,37 5,34
Petrobras PBR.A 10,91 5,30
GPA CBD 3,43 4,33
Vale VALE 15,56 4,25
Embraer ERJ 8,79 4,14
BRF BRFS 2,46 3,91
Gerdau GGB 4,83 3,59
Itaú Unibanco ITUB 4,48 3,55
Santander BSBR 5,82 3,24
TIM TIMB 11,99 3,23
Ambev ABEV 2,47 2,95
Bradesco BBD 3,56 2,87
Cemig CIG 2,15 2,27
Telefônica Brasil VIV 9,11 2,25
Sabesp SBS 8,19 2,21
Grupo Ultra UGP 2,44 2,01

O movimento dos mercados era o reverso do verificado na quarta-feira (14) – dia em que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) anunciou uma elevação de 0,75 ponto percentual nos juros do país, a maior desde 1994, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central alçou a Selic ao patamar de 13,25% ao ano, após promover uma alta de 0,50 ponto percentual na taxa.

Nas bolsas, os índices – tanto o Ibovespa quanto os americanos – subiram. A interpretação geral do mercado foi a de que o Fed acertou em sua deliberação. Jerome Powell, presidente do Fed, admitiu em entrevista que a elevação de 0,75 ponto foi um ponto fora da curva, mas antecipou que uma nova alta – de 0,50 ou 0,75 ponto – é o movimento mais provável na próxima reunião da autoridade monetária, em julho.

Tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 e o Nasdaq encerraram a quarta-feira com altas superiores a 1%. Por aqui, o Ibovespa seguiu os mercados internacionais e também fechou em alta, ainda que menor. O índice subiu 0,73%, para 102.806 pontos, num movimento interpretado por agentes do mercado como uma recuperação natural após oito pregões consecutivos de queda.

Nesta quinta, no entanto, o sentimento do mercado voltou a azedar diante das decisões de política monetária de outros bancos centrais ao redor do mundo.

O Banco da Inglaterra (BoE), por exemplo, decidiu elevar sua taxa básica de juros pela quinta vez consecutiva, em 25 pontos-base , para 1,25% ao ano, em meio à persistência da inflação alta no Reino Unido

Segundo comunicado do BoE, seis de seus nove dirigentes de política monetária votaram pelo aumento do juro básico para 1,25% nesta quinta-feira. Os três dissidentes defenderam um aumento mais agressivo da taxa, para 1,50% ao ano.

Já o Banco Central da Suíça (SNB) anunciou um inesperado aumento de juros de 50 pontos-base, o primeiro desde setembro de 2007. A taxa básica do país alcançou a faixa de -0,75% a -0,25% ao ano, numa tentativa de conter a inflação doméstica – que acelerou para um índice anual 2,9% em maio, maior nível em mais de uma década.

“Já é hora de sairmos desse mundo artificial de injeções de liquidez maciças previsíveis, em que todos se acostumam com taxas de juros zero, onde fazemos coisas bobas, seja investindo em partes do mercado em que não deveríamos investir ou investindo na economia de maneira que não faz sentido”, disse Mohamed El-Erian, consultor-chefe de investimentos da Allianz em entrevista à CNBC.

Essa transição, no entanto, não deve acontecer sem percalços. “Vemos como cada vez mais provável que uma recessão e desemprego mais alto sejam necessários para domar a inflação, com uma imagem macro tão sombria pairando sobre os mercados”, disse à Reuters Geir Lode, chefe de ações globais da Federated Hermes Limited.

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