Representante diz que réu não sabia que moto roubada seria usada no homicídio de Milena Gottardi

Foto: Reprodução/Facebook
Bruno Broetto é assinalado pelo MPES uma vez que o responsável por fornecer a moto utilizada por Dionathas para massacrar Milena Gottardi

O terceiro dia do julgamento dos seis acusados de envolvimento no homicídio da médica Milena Gottardi é marcado pelo testemunho do representante Janderson Lube, mais uma das testemunhas de querela arroladas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O testemunho dele começou por volta das 10h05 desta quarta-feira (25).

Lube esteve avante das investigações sobre o homicídio de Milena, ocorrido em setembro de 2017, no estacionamento do Hospital das Clínicas, em Vitória. 

Em seguida o representante responder aos questionamentos feitos pela querela, durante a manhã e o início da tarde, o juiz que preside o júri, Marcos Pereira Sanches, da 1ª Vara Criminal de Vitória, determinou uma pausa, por volta das 14 horas.

Murado de uma hora e quinze minutos depois, o testemunho foi retomado, com o Janderson Lube respondendo as perguntas elaboradas pelos advogados de resguardo dos seis réus no processo.

O primeiro a questionar o representante foi o jurisconsulto Leonardo da Rocha Souza, responsável pelas defesas de Dionathas Alves Vieira, culpado de ser o executor do homicídio de Milena, e Bruno Rodrigues Broetto, assinalado pelo MPES uma vez que o responsável por fornecer a moto para Dionathas cometer o delito.

Em seu testemunho, Janderson Lube afirmou que não há provas de que Bruno sabia que a médica seria assassinada. 

Segundo o representante, o vínculo entre Bruno e Dionathas — os dois são cunhados — e o roubo da motocicleta apontam que Broetto tinha ciência de que haveria um delito. Porém, o representante relatou que, a partir do que investigou, não é verosímil declarar que Bruno sabia que a vítima seria Milena.

“Não há provas de que ele sabia uma vez que o delito seria feito e que seria Milena”, declarou Janderson Lube.

A intenção de Leonardo da Rocha Souza é provar ao júri que Bruno não sabia da real finalidade do veículo roubado. Ele vai pedir a inocência de Broetto. 

Nas perguntas feitas à testemunha, ele pediu que o representante apontasse elementos concretos de que Bruno estava associado aos demais réus.

Foto: TV Vitória
Janderson foi o representante responsável pelas investigações do homicídio de Milena Gottardi, em 2017

As investigações, segundo o representante, apontaram que a moto usada por Dionathas no momento do delito foi roubada por um jovem e entregue a Bruno. O roubo ocorreu em agosto, muro de 15 dias antes do homicídio.

Dias depois, Dionathas foi localizado em Timbuí, Fundão, e confessou o delito. Ele também indicou o lugar onde estava a moto. 

Ela estava em um sítio, que pertence a Hermenegildo Palauro, assinalado uma vez que intermediário do delito. O rendeiro afirmou que viu o executor queimando roupas no dia da prisão.

Discussões entre advogados de resguardo paralisam julgamento

Na prova de sua tese, de que Bruno não estaria envolvido com os demais réus, Leonardo da Rocha Souza pediu que os jurados lessem secção do processo onde o representante cita a participação de Bruno. 

O vestuário gerou reclamações por secção dos advogados de Hilário Frasson, ex-marido de Milena e culpado de ser um dos mandantes do delito. Houve discussão e o juiz teve de intervir. Segundo a resguardo de Hilário, ao fazer isso, o jurisconsulto de Bruno e Dionathas estaria formando persuasão no júri.

Os promotores discordaram das reclamações, porque é recta dos jurados consultarem o processo, e dos advogados apresentarem os trechos e peças do processo, já que já havia sido exibido os mesmos trechos para a testemunha.

O julgamento ficou paralisado por muro de 15 minutos em torno dessa questão. Tudo foi registrado em ata.

Legisperito de Dionathas e Bruno exibe vídeo

Pela primeira vez, um vídeo foi exibido durante os três dias de julgamento. O jurisconsulto Leonardo da Rocha Souza exibiu um vídeo da prisão de Dionathas, feito pela Polícia Social. 

No vídeo, o culpado confirma ser o executor de Milena. Nesse momento, o réu saiu do salão do júri.

Houve a tentativa de exibir o vídeo no datashow da sala do júri. No entanto, por problemas técnicos, o áudio não funcionava. Em seguida consonância entre todos os advogados de resguardo e o Ministério Público Estadual, o vídeo foi exibido num laptop para o representante.

O jurisconsulto de Dionathas e Bruno perguntou se o representante percebeu, na ocasião, se Dionathas estava apavorado. O representante respondeu que a questão era subjetiva e que ele não teve esse tipo de percepção.

Representante diz que intermediário esteve no hospital no dia do delito

Já a estratégia das defesas de Valcir da Silva Dias e de Hermenegildo Palauro, apontados uma vez que intermediários na contratação de quem iria matar Milena, é apresentar ao júri a teoria de que seus clientes não são homens agressivos.

Foto: Reprodução
Segundo o representante, Valcir esteve no Hospital das Clínicas no dia em que Milena foi morta

A advogada Ilsa Ribetti, que representa Valcir, perguntou a Janderson Lube se ele, em suas investigações, constatou que seu cliente, no dia do delito, estava no Hospital das Clínicas para identificar a médica para o executor. 

O representante respondeu que Valcir esteve no lugar e que, pelas circunstâncias, pode ter auxiliado no delito. A advogada rebateu e disse que seu cliente estava no lugar para visitar um camarada, que na estação fazia tratamento contra o cancro.

Ribetti questionou também se, durante as investigações, ficou comprovado que Valcir tenha recebido qualquer valor para participar do homicídio de Milena. Em sua resposta, o representante afirmou que essa questão “não foi fechada”.

Janderson Lube disse ainda que não teve conhecimento se alguém chegou a fazer alguma promessa de verba a Valcir, e que não se lembrava se o réu havia adquirido qualquer muito de cima valor na estação.

O representante ressaltou também que foi feito um levantamento a saudação das ligações feitas entre Valcir e os demais réus, no período entre 1º de janeiro e 4 de outubro de 2017.

Foto: Arte/Julio Lopes

Hilário pediu ajuda a juízes

Também por meio das interceptações telefônicas dos suspeitos, Janderson Lube constatou que Hilário havia enviado alertas a pelo menos dois juízes, na tentativa de obter ajuda dos magistrados em seu processo de separação com Milena.

Janderson Lube afirma que não deu atenção ao vestuário na estação das investigações. No entanto, diz que voltou a se interessar por esse pormenor em seguida a realização da operação Psique Viva, que investiga uma suposta venda de sentença envolvendo juízes do Fórum da Serra e que aponta Hilário uma vez que um dos intermediários.

Foto: Montagem / Folha Vitória
Alexandre Farina (esquerda) teria sido contactado por Hilário para ajudá-lo no processo de divórcio

“Eu voltei a consultar oriente material e vi que realmente há uma tentativa de tentar influenciar, mandando alertas para alguns juízes, uma vez que foi o caso de mensagens para os juízes Farina e Júlio César”, afirmou o representante, sem especificar o sobrenome do segundo magistrado.

Os alertas teriam sido feitos em abril de 2017, estação em que Milena havia obtido uma liminar na Justiça que a permitia transpor de vivenda com as duas filhas.

Pesquisa de Hilário em sites pornográficos

No início do testemunho, ainda pela manhã, Lube mencionou fatos que chamaram a atenção da polícia durante a investigação do homicídio da médica. Um deles foi a sequência de ligações telefônicas entre os seis réus, inclusive no dia do delito. 

Outro vestuário foi que, 14 horas depois de perder a própria mulher, Hilário estava acessando sites pornograficos, com pesquisas que faziam menções a ‘esposas’ e ‘loirinhas’ praticando os atos sexuais.

Durante o testemunho do representante, Hilário permaneceu fazendo anotações. O mesmo foi feito por ele nas oitivas de terça-feira (24). 

O juiz que preside o julgamento esclareceu que oriente é um recta guardado, uma vez que uma forma de notícia entre réu e resguardo.

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