Quinto: Advogado acusado de briga com filho de Bell Marques em balada quer ser colega da própria mãe no Tribunal de Justiça da Bahia

Foto: Reprodução/Arquivo
Advogado Carlos Magnavita Jr. 16 de setembro de 2022 | 17:32

Quinto: Advogado acusado de briga com filho de Bell Marques em balada quer ser colega da própria mãe no Tribunal de Justiça da Bahia

Entre os 25 candidatos ao Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça da Bahia, pelo menos um é filho de uma desembargadora e não vê nenhum problema nisso, do que discordam seus concorrentes e até colegas da magistrada.

O advogado criminalista Carlos Henrique Magnavita Ramos Jr. marcou com uma mensagem em suas redes sociais o momento da inscrição à disputa para a vaga de desembargador do TJ destinada à advocacia baiana e foi saudado com fervor religioso pela própria genitora.

“Deus lhe abençoe meu filho. Boa Sorte guerreiro”, folgou a desembargadora Ivone Bessa, ao que o criminalista retrucou na mesma página, seguido de uma figura com um coração e outra de Graças a Deus: ‘obrigado, mãe’!

Desembargadora, mãe de Carlos Magnavita Jr. deseja “boa sorte” ao filho

A crítica de inscritos à lista sêxtupla da Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia a Magnavita Jr. praticamente repete argumento dirigido a dois candidatos que são juízes eleitorais, motivo de uma outra reportagem deste Política Livre.

Para alguns deles, todos desfrutariam de uma condição privilegiada para concorrer. No caso do filho da desembargadora, no entanto, pesaria o grau de parentesco com uma alta magistrada do TJ, o que na visão de alguns caracterizaria também ‘nepotismo’.

Ao argumento de alguns defensores da candidatura do criminalista de que ele é eleito pela classe à lista sêxtupla, seus críticos respondem argumentando que na etapa seguinte, e mais importante, são os desembargadores que escolhem os três nomes para submeter à definição do novo colega pelo governador do Estado.

Neste momento crucial, pergunta de forma irônica uma concorrente de Magnavita Jr. a este Política Livre, ‘como conter os apelos da mamãe para que os colegas prestigiem seu pupilo como o mais preparado e aguerrido para exercer, com merecimento, as mais altas funções da magistratura?’

Um advogado que também concorre à indicação dos colegas à lista sextupla acrescenta que já foi possível sentir a “influência” da desembargadora na campanha do filho no momento em que ele anunciou ter se inscrito pelas redes sociais e em outra disputa parecida de que ele participou, há quatro anos.

Ele atribui muito mais a um suposto prestígio da magistrada do que ao do próprio candidato pelo menos uma manifestação de apoio de um político a ele em seguida à postagem. “Agora é rogar a Deus o êxito nesta caminhada. Forte abraço e boa sorte”, escreveu o senador Angelo Coronel (PSD).

Senador Angelo Coronel manifesta apoio ao candidato à vaga da advocacia no Judiciário

“Quantos políticos fizeram o mesmo com outros candidatos? É evidente que é uma sinalização à mãe, naquela velha linha já conhecida do ditado segundo o qual ‘quem beija a boca do meu filho a minha adoça”, completa, indignado.

O privilégio do parentesco, no entanto, foi o mesmo que inviabilizou Magnavita Jr. na outra disputa, na qual ele despontou com tudo: a corrida por uma vaga de juiz no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), também na vaga de advogado.

O ano era 2018 e, com a ajuda da mãe devotada, o advogado acabou como campeão de votos entre os desembargadores para concorrer à vaga. Obteve 31 sufrágios contra 26 de Rui Barata, filho da desembargadora Lygia Ramos, outra que trabalhou abertamente pela campanha do rebento à época.

Lygia está afastada do TJ desde 2019 depois que virou alvo da Operação Faroeste, que investiga um esquema de vendas de sentenças para esquentar terras griladas no Oeste da Bahia.

“Órfão de mãe” no TJ e, portanto, sem um cabo eleitoral materno no Judiciário, o advogado Fabiano Mota, que também concorreu para o TRE e agora disputa a indicação à lista da OAB, não teve o mesmo desempenho dos filhos das magistradas. Na mesma eleição, chegou à lista tríplice votado por 24 desembargadores.

Mas tanto Rui Barata, que disputava a recondução ao TRE, quanto Magnavita Jr. acabaram excluídos da lista por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Invocando o parentesco de ambos com magistradas do Tribunal baiano, o TSE classificou a ida dos dois para o TRE como um caso clássico de “nepotismo”.

Detalhe: a exclusão de Magnavita Jr. foi por unanimidade, ao passo que Barata, porque já era juiz da Corte Eleitoral, foi excluído pela maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão do TSE foi comemorada à época em setores da advocacia baiana e nacional como um avanço pela moralidade no Poder Judiciário, alvo constante de críticas envolvendo privilégios.

“É incrível como uma rapaz que passou por uma situação dessas ainda insiste em ser candidato à vaga no TJ”, diz uma desembargadora a este Política Livre sobre a nova investida do filho da colega Ivone Bessa.

De seus arquivos, ela desencavou matérias jornalísticas sobre um episódio marcante na vida de Magnavita Jr., ocorrido um ano antes de ter tentado se eleger juiz do TRE, em 2017, no qual ele se envolveu numa briga com o filho do cantor baiano Bell Marques, Pipo Marques.

Carlos Magnavita Jr. foi acusado de agredir filho de Bell Marques em balada

Das três matérias que ela enviou ao site, uma diz que Magnavita brigou com o músico numa balada. Mas as duas outras o acusam de ter agredido o filho do band leader do Chiclete com Banana. Uma delas chega a relatar que, antes de ter partido para cima de Pipo, Magnavita Jr. já havia se envolvido em outras confusões na mesma noite.

O motivo, também relata uma das publicações, seriam ciúmes de uma cantora de Axé que fora sua namorada. Uma quarta reportagem noticia que o Ministério Público baiano, depois da alegada agressão a Pipo, resolveu se posicionar a favor de uma medida protetiva contra o advogado, solicitada à Justiça pelo filho de Bell.

“O MP entendeu que a medida visa a proteção da integridade física da vítima e o advogado não poderá entrar em contato e deve manter sempre uma distância mínima de 200 metros do artista”, diz trecho da reportagem.

Se na ocasião da disputa ao TRE, Ivone Bessa limitou-se a pedir votos para o filho entre os colegas do Tribunal de Justiça, agora ela já teria entrado abertamente na campanha para elegê-lo, pedindo a advogados e a representantes de escritórios de advocacia que não esqueçam de votar nele para a lista sêxtupla.

É o que relataram ao Política Livre, sob a condição de anonimato, pelo menos três concorrentes à vaga de desembargador.

Eles dizem que, pressionados pela posição de poder da desembargadora, colegas que antes estavam comprometidos com eles, hoje pedem desculpas ao alegar que não terão como honrar o compromisso, votando também em Magnavita Jr. para a lista.

Outro lado

Procurado por este Política Livre, o advogado Carlos Magnavita Jr. , por escrito, reafirmou a sua candidatura à lista sêxtupla, salientando que a sua inscrição já foi “acolhida, nos termos da legislação vigente”.

Sobre o processo do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), para o qual teria sido ajudado pela mãe e depois excluído pelo TSE, disse que este caso “em nada tem a ver com a pretensão à vaga” no Judiciário.

Magnavita Jr. negou que existisse alguma medida protetiva contra ele da parte do cantor Pipo Marques e afirmou que, “ainda que existisse, seria desinfluente ao pleito de candidato à vaga pelo Quinto constitucional”.

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