Procuradores sabiam que estavam grampeando advogados de Lula

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A resguardo de Lula enviou ao Supremo Tribunal Federalista nesta quarta-feira (17/2) novos diálogos entre procuradores da “lava jato” em Curitiba. Júlio Noronha admite em uma das mensagens saber que o escritório dos advogados do ex-presidente foi grampeado. A interceptação de conversas entre resguardo e cliente é proibido. 

MPF sabia que grampeava resguardo do ex-presidente, ao contrário do que disseram oficialmente. Também articulou processo contra Zanin (foto)
Ricardo Stuckert

“Não me lembro porquê eles atendiam, mas de traje era telefone do escritório, de uso generalidade dos advogados. Não sei quantas ligações foram interceptadas, mas foram muitas. Nenhuma relevante para investigação”, disse o procurador em 6 de maio de 2016. 

Na ocasião, ele respondia a uma pergunta feita por Deltan Dallagnol, portanto encarregado da “lava jato” em Curitiba. A ConJur manteve eventuais erros de digitação e de ortografia contidos nas conversas. 

“Duas perguntas (não vamos utilizar, mas ficamos com a curiosidade matando cá rsrsrs): 1) sabemos que nenhuma gravação de interceptação daquele número porquê escopo foi para o relatório. Mas, você sabe quantas ligações a partir daquele número foram de traje interceptadas?; 2) de traje, quando o telefone era atendido naquele número, era falado ‘boa tarde, escritório xyz’, ou é invenção dos advogados?”, perguntou Dallagnol. 

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Conforme noticiou a ConJur com exclusividade em 2016, Sergio Moro quebrou o sigilo do telefone medial da sede do Teixeira Zanin Martins Advogados, portanto chamado Teixeira, Martins e Advogados. A carteira fica em São Paulo. 

Ao todo, 25 advogados com pelo menos 300 clientes foram grampeados. Telefonemas de empregados e estagiários do escritório também foram interceptados pela “lava jato”.

O grampo foi conseguido com uma dissimulação do Ministério Público Federalista. No pedido de quebra de sigilo de telefones ligados a Lula, os procuradores da República incluíram o número do escritório porquê se fosse da Lils Palestras, Eventos e Publicações, empresa de palestras do ex-presidente. 

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Acontece que quando alguém ligava para a carteira, imediatamente tocava a mensagem “você ligou para o Teixeira, Martins e Advogados”, o que já colocava em xeque a tese de que os procuradores grampearam o escritório por ilusão. Com o novo diálogo, a versão do MPF fica ainda mais frágil.  A mensagem também contraria uma enunciação dos procuradores, que inicialmente afirmaram não ter escutado nenhuma conversa. 

Ao ser publicada a notícia de que o escritório foi interceptado, os procuradores de Curitiba disseram que o procedimento ocorreu por ilusão, já que no Google o número aparecia porquê sendo da Lils, e não da carteira. 

Segundo apurou a ConJur, o grampo ocorreu durante 23 dias, entre fevereiro e março de 2016. Ao todo, foram interceptadas 462 ligações, nem todas relacionadas à resguardo do ex-presidente, mas todas feitas ou recebidas pelos advogados ou demais trabalhadores do escritório. Para os advogados, a interceptação foi uma estratégia do MPF para se antecipar à resguardo. 

“Intenção de violentar”

Em outro trecho, o procurador Antônio Carlos Welter articulou uma criminação contra Cristiano Zanin, que integra a resguardo de Lula, depois o jurisperito protocolar uma representação no CNJ contra o portanto juiz Sergio Moro. 

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“Quanto a representação contra o Moro, sugiro que falemos com o representante do mpf no CNJ para conversar ao mpf por denunciação caluniosa. Nesse caso ele [Zanin] passou da conta”, diz o diálogo. 

“O CNJ pode indicar isso e pedir providências contra o zanin, ou pelo menos discutir isso em plenário, para que nao fique tao barato mais essa dele”, prossegue Welter. 

Segundo a resguardo de Lula, a atuação dos procuradores tinha porquê objetivo violentar os advogados, assim porquê o MPF fez com ministros de cortes superiores.

“Na intenção de violentar, inclusive os advogados do reclamante — na mesma risca do que fizeram até com os ministros dos tribunais superiores —, planejaram ataques para gerar constrangimento e, possivelmente, para que houvesse desistência da atuação. Até mesmo iniciativas perante o CNJ — que deveria exercitar o controle extrínseco em relação às iniciativas do ex-juiz Sergio Moro — foram engendradas pelos membros da ‘lava jato’ contra um dos advogados constituídos”, diz a resguardo do petista, patrocinada pelos advogados Cristiano Zanin, Valeska Martins, Maria de Lourdes Lopes e Eliakin Tatsuo

Rcl 43.007

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