Posteriormente explosão de violência, Justiça sul-africana retoma julgamento contra Zuma

Jacob Zuma durante audiência no tribunal de Pietermaritzburgo em 26 de maio de 2021 – POOL/AFP/Arquivos

O julgamento por devassidão do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, cuja detenção há 10 dias provocou uma explosão de violência no país com um balanço de mais de 200 mortos, foi retomado nesta segunda-feira (19).

Envolvido em múltiplos escândalos e acusações por devassidão, o ex-chefe de Estado de 79 anos é julgado em um caso de subornos que teria sucedido há mais de duas décadas.

A explosão de violência começou em 9 de julho no reduto de Zuma em Kwazulu-Natal (leste), um dia depois de sua detenção por desacato. Em seguida, propagou-se para Johanesburgo, com o saliente índice de desemprego e as restrições pela pandemia porquê tecido de fundo.

Nesta segunda-feira, muitos soldados e policiais foram mobilizados no meio de Pietermaritzburgo, a capital de Kwazulu-Natal, onde fica o tribunal. As ruas próximas também eram patrulhadas, e um helicóptero sobrevoava a extensão. A audiência acontece, no entanto, de modo virtual.

Zuma participou da audiência da prisão de Estcourt, a menos de 100 quilômetros do tribunal. A sessão, porquê é geral na África do Sul, era exibida na televisão.

Os simpatizantes de Zuma estão mobilizados para concordar o ex-chefe de Estado. Eles foram acusados de promover o caos nos últimos dias, e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, chamou a situação de tentativa orquestrada de desestabilizar o país.

No domingo (18), os advogados de Zuma escreveram ao tribunal para informar que questionariam a decisão de organizar a audiência de forma virtual, alegando que isto violava os direitos constitucionais de seu cliente.

Desde o término de junho, as autoridades sul-africanas adotaram várias restrições para frear a terceira vaga do coronavírus. Entre as medidas, está a de estimular os tribunais a organizarem audiências de maneira virtual.

Neste caso, porém, o juiz Piet Koen explicou que a decisão estava vinculada à instabilidade na província. Deste modo, as autoridades evitaram que Zuma saísse de sua quartinho.

– “Nossos advogados estão prontos” –

O ex-presidente deve responder por 12 acusações de fraude e devassidão vinculadas à compra, em 1999, de material militar de cinco empresas europeias de armamento, quando era vice-presidente.

Ele é criminado de ter recebido mais de quatro milhões de rands (US$ 277.000 no câmbio atual), principalmente do grupo francesismo Thales. Esta foi uma das empresas que receberam grandes contratos por um valor global de quase US$ 3,3 bilhões.

A empresa francesa de resguardo também é acusada de devassidão e de lavagem de verba. Zuma e o grupo Thales sempre negaram as acusações.

No sábado (17), a equipe de Zuma pediu que a audiência fosse presencial, ou adiada.

“Se chegarmos a um convénio sobre uma audiência presencial, nossos advogados estão prontos”, disse o porta-voz de Zuma, Mzwanele Manyi, no domingo à AFP. “Em caso contrário, a audiência deve ser adiada, inclusive por uma semana, até que situação no país fique mais calma”, completou.

Apesar dos vários escândalos de devassidão denunciados durante sua presidência, Zuma guarda uma influência real, inclusive dentro do Congresso Pátrio Africano (ANC), o histórico partido que governa o país.

O julgamento foi delongado em várias ocasiões, posteriormente uma série de recursos apresentados pela resguardo do ex-presidente. Na audiência anterior, em maio, Zuma se declarou singelo e, em seguida, o processo foi delongado.

O advogados de resguardo também exigem a repúdio do representante do Ministério Público, Billy Downer, por parcialidade. Downer pretende convocar mais de 200 testemunhas.

Zuma foi obrigado a renunciar em 2018, posteriormente a revelação de uma série de escândalos. Dois anos antes, um relatório devastador detalhou porquê irmãos empresários de origem indiana, os Gupta, saquearam recursos públicos durante sua presidência (2009-2018).

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