Plano de saúde: Advogados dizem que prejuízo de R$ 1,7 bilhão foi causado por má gestão – Notícia

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Má gestão e preços exorbitantes nos serviços, esses foram os principais pontos levantados por um grupo de advogados que realizou análise do prejuízo de R$ 1,74 bilhões das operadoras de planos de saúde no segundo trimestre deste ano. Além desses dois argumentos, uma hipótese de que os resultados na verdade seriam para gerar uma pressão ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), também foi levantada.

 

A advogada e ativista Mariana Colatino, membro da Comissão da Pessoa com deficiência da Seccional de Alagoas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) e da Mobilização de Alagoas, afirmou que uma preocupação é sobre os problemas de gestão, justamente em 2022, quando, segundo ela, houve o maior aumento de valores de serviços na história. Colatino também pede cautela em relação aos dados, visto que ainda são parciais.

 

“Dados de prejuízo preocupam demais os consumidores, que pagam caro por esses serviços e esperam uma boa gestão das empresas desses recursos, especialmente considerando que 2022 contou com o maior reajuste de preços da história, no caso dos planos individuais. A minha preocupação é que problemas de gestão estejam sendo repassados aos consumidores. É preciso analisar essa informação com cuidado, considerando primeiro, que são dados parciais, e não do ano todo”. 

 

A advogada informa ainda que os dados estão relacionados a uma situação decorrente dos efeitos da pandemia e que refletem em maior ou menor grau questões de gestão. Colatino ressaltou que o prejuízo divulgado pela ANS não deve ser atrelado ao PL 2033/22, conhecido como Rol taxativo.

 

“Os dados não devem ser atrelados à discussão sobre o PL 2033/22 e seus desdobramentos. Não haveria tempo hábil para que um projeto ainda não sancionado tivesse efeitos sobre o setor dessa maneira. Pelo contrário, o que tem efeitos no mercado no momento é a equivocada decisão do STJ, que considerou o Rol da ANS taxativo, o que vem aumentando negativas de atendimento e, consequentemente, a judicialização.”, disse Colatino.

 

O presidente da Associação Amigos do Brasil em prol da ética (Abra), o advogado Cleiton dos Reis, afirmou que a ANS realizou a divulgação dos dados para realizar uma pressão sobre Bolsonaro, que deve sancionar o Rol taxativo. Além disso, o gestor aponta que, na verdade, o que a instituição deveria buscar é uma melhora na qualidade de serviço das operadoras.

 

“Para mim, é óbvio que a divulgação desses dados pela ANS neste exato momento tem por finalidade gerar uma pressão sobre o presidente Bolsonaro, que está prestes a sancionar o PL 2033/22, sendo que, ao invés disso, o que realmente precisa ser destacado é que parte considerável desse prejuízo decorre de má gestão das operadoras, que é o que sinalizam os dados apresentados pela ANS, já que as despesas administrativas aumentaram consideravelmente nos últimos trimestres”, afirmou Reis. 

 

O advogado ainda explica: “A diferença entre o resultado positivo e o resultado negativo, que é de R$691 milhões, representa apenas 0,5% do faturamento. Segundo ele, esse segmento do mercado opera com margem de lucro na casa dos 4 a 6%, sempre foi assim, e dispõe de mais de 40 bi de rendimento das suas aplicações e outros 50 bi em dinheiro de reserva técnica; certamente a tendência é a situação estabilizar-se até o final do ano”, discorreu.