Operação da PM na Ocupação Mauá assusta moradores: “Não somos

-

- Publicidade -

Uma ação da Polícia Militar na Ocupação Mauá, região meão de São Paulo (SP), deixou os moradores do lugar apreendidos na tarde deste sábado (20). Segundo relatos da comunidade, que concentra 237 famílias, agentes da corporação entraram no endereço e vasculharam os seis andares do prédio sem apresentação de mandado judicial.

Silmara Congo, integrante da coordenação da ocupação, conta que as equipes chegaram ao lugar com cães farejadores e armas.

“Eles andavam com o cachorro de caminhar em caminhar, batendo nas portas. Onde o cachorro parava, se não tinha ninguém, eles arrombaram”, disse ao Brasil de Indumento. Ela conta que as pessoas se assustaram com a ação, que foi presenciada por crianças da comunidade que circulavam nos pavimentos.

“Eu acho que é uma questão muito constrangedora pras famílias porque nós somos de movimento, mas não somos ladrões pra eles entrarem cá sem mandado, com a truculência com que entraram”, lamenta Silmara.

- Publicidade -

Durante a ação, uma mulher prenha de oito meses foi levada na viatura da PM por suposta posse de drogas. “A princípio, não podia ir com ela. No final, quando consegui conversar com o comandante, expliquei que ela estava prenha e que era uma prenhez de cume risco. Perguntei se poderia escoltar, e ele falou que não”, conta Silmara.  

A advogada Juliana Avanci, do Meio Gaspar Garcia, que está atuando na resguardo da comunidade, afirma que as equipes conduziram a gestante para o 2º Região Policial. Ela diz que a ação causou “estranheza” por conta dos procedimentos adotados pelos agentes.

“Eles chegaram, fizeram a porteira penetrar o prédio, falaram que tinham uma denúncia, não falaram o nome de ninguém, não apresentaram nenhum tipo de mandado, zero disso. Não permitiram o comitiva de ninguém. Inclusive, isso levanta questionamentos sobre essa mortificação de drogas porque alguém deveria ter presenciado isso”.

- Advertisement -

A advogada aponta que a conduta fere o regramento que orienta esse tipo de operação no Brasil. “Você não chega num prédio dizendo que vai entrar. Não é assim. Ou é flagrante ou é ordem judicial pra você entrar em residência privado”, ressalta.

A Percentagem de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) também foi chamada para escoltar o caso.  “Quando cheguei à delegacia, vi que ela estava no sege da polícia porque havia um fluxo de atendimentos e ela estava aguardando para ser atendida. Observei que ela tem na fita de 25 anos e, de roupa, está prenha. Nós fomos ao lugar pra prometer que ela não ficaria sozinha ali”, relata o legista Arnobio Rocha.

Polícia Militar

O Brasil de Indumento tentou ouvir a assessoria de notícia da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a saudação do caso, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem também enviou e-mail e aguarda retorno.

- Publicidade -

 

Edição: Camila Salmazio

- Publicidade -

Compartilhe

Recent comments