O papel político da ciência pública – Quotidiano do Grande ABC

Na atuação do Estado brasiliano a ciência e as universidades públicas cumprem função estratégica e fundamental para o desenvolvimento cultural, tecnológico, social e econômico da nossa sociedade. O Brasil, apesar da escassez de recursos destinados à ciência e diante da falta de agenda política muito definida para o incentivo à pesquisa e à inovação, apresentou avanços relevantes no desenvolvimento científico e tecnológico nas últimas décadas – que corre o risco permanente de ser interrompido e já atrasa o progresso de diversos projetos diante de uma prenúncio que, porquê num processo autofágico, vem do próprio governo do País. Com o menor orçamento dos últimos 25 anos, a nossa ciência respira por aparelhos e demonstra faceta intrínseca aos brasileiros: a capacidade de resiliência e resistência.


No indicador de gênero, para reportar um exemplo, a Unifesp (Universidade Federalista de São Paulo) é a instituição brasileira mais comprometida com a paridade de gênero no País e a 89ª do mundo, segundo o Impact Rankings 2021, realizado pela revista britânica Times Higher Education (THE). Já no paisagem da produção científica de modo universal, há números que impressionam, mas que poderiam ser ainda muito melhores. De congraçamento com levantamento realizado pelo Clarivate Analytics a pedido da Capes, o País, no período de 2011 a 2016, publicou mais de 250 milénio artigos na base de dados web of science (plataforma referencial de citações científicas) em todas as áreas do conhecimento, o que garantiu a 13ª posição na produção científica global (com mais de 190 países). Dessas publicações, mais de 90% provêm das universidades públicas.



Paralelamente, a redução do orçamento do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) no período de 2014 a 2018 (contemplado por relatório da Unesco) foi da ordem de 50%. De 2012 para 2021, a redução é ainda mais drástica: 84% – de R$ 11,5 bilhões para R$ 1,8 bilhão, com os valores atualizados pela inflação. Os números não são nem de longe ideais para a demanda científica do País, muito porquê para o retorno econômico que o cumprimento desta demanda pode proporcionar. Entre avanços (mesmo a passos lentos e com limitações) e retrocessos, esses dados representam algumas das várias esferas que compõem a engrenagem política, econômica e social envolvendo o investimento em ciência e tecnologia. Assim, se faz necessário reconhecer a atuação de pesquisadores e as produções das universidades públicas porquê ação estratégica para o desenvolvimento da nossa sociedade, portanto, com papel político e, supra de tudo, humanitário – o qual será fundamental para responder os desafios do tempo presente.



Raiane Assumpção é vice-reitora em manobra da Unifesp (Universidade Federalista de São Paulo).

PALAVRA DO LEITOR

CPI é piada

Ainda assisto! Presidente: Omar Aziz é investigado por meandro de recursos na superfície da Saúde no Amazonas; relator: Renan Calheiros tem 13 processos no TRF I (Tribunal Regional Federalista da 1ª Região), e vai relatar o quê? Randolfe Rodrigues só quer mandar prender os depoentes, e isso está me cheirando bela pizza de muçarela. Isto é Brasil, não se pode levar a sério.

Cláudio A. S. De Moraes

Santo André

Fora, esquerda!

Esta pilar já foi muito boa. Hoje já nem leio mais, pois são só opiniões contra determinado presidente, inclusive tem um que escreve sempre. E, para finalizar, quem esfaqueou o presidente foi ele mesmo, com uma faca de pão (Será, dia 11). Esses leitores não sabem que ele ganhou prêmio há uns anos de arte dramática? E os médicos que o atenderam também?

Breno Reginaldo Silva

Santo André

Amém? Não!

Nunca antes senadores do Brasil tiveram tanta responsabilidade na escolha de indicado – André Mendonça – para ser ministro do STF (Supremo Tribunal Federalista). Ele só exerceu seus cargos na AGU (Advocacia-Universal da União) e Ministério da Justiça, desrespeitando princípios constitucionais, tais porquê a liberdade de sentença, dossiês contra funcionários públicos, submissão dos Estados a saudação da pandemia. Propôs interromper civis para serem julgados por ministros militares etc. Tem a mente autoritária, e exerceu seus cargos com vassalagem ao presidente. Não adianta ser sabatinado e mentir para os senadores. Se nomeado irá fazer o que Bolsonaro mandar, e vocês, senadores, não poderão revogar seu procuração. Só por meio de seu impeachment. Queremos ministro terrivelmente constitucional!

Tânia Tavares

Capital


Prefeito de São Bernardo…

Lendo oriente Quotidiano (Política, dia 10), fico a pensar e procurando entender que preocupação é essa? Nos casos graves de neurose obsessiva o sujeito tem urgência de se opor, esgrimir infinitamente, frear toda iniciativa que não seja a sua. Seu objetivo é imobilizar o curso dos acontecimentos, fixar, petrificar o vivo, proporcionar a inércia. Ele exige o cumprimento rigoroso de suas condições absolutas, visando produzir mundo sem falhas – que se parece com a morte. É nesse universo ordenado que o nevrótico obsessivo faz sua morada, ocupando-se sempre de sua manutenção. Estamos, portanto, diante de um ‘eu’ impenetrável, entrincheirado, em alerta metódico, e dos avatares de sua agressividade que é dirigida tanto contra si mesmo quanto contra o outro. O sujeito torna-se, assim, ‘tirano’, exercendo seu domínio por meio de intrusões repetidas que violam a intimidade do outro. Ele exerce esse domínio no registro do poder e na ordem do responsabilidade, tanto de maneira ativa quanto sob a forma de resistência passiva, tendo porquê recursos frequentes a força e a violência. Dessa forma, o ódio e a agressividade ganham destaque na dinâmica obsessiva porquê formas de domínio sobre o outro.

Luizinho Fernandes

São Bernardo


Investigação

A Polícia Federalista abre interrogatório para investigar o presidente Bolsonaro sobre a possibilidade de prevaricação na obtenção da Covaxim. Agora não é unicamente a CPI do Senado. Será que ele escapa?

Uriel Villas Boas

Santos (SP)

Descaso

A reportagem sobre São Bernardo ter quatro vítimas fatais entre dez de Covid no Grande ABC representa a triste situação que está passando a cidade com o descaso público no enfrentamento da pandemia (Setecidades, dia 11). Basta que se ande pelo Meio da cidade e veja aglomerações no Paço, em volta do piscinão. São centenas de pessoas ignorando a obrigação do uso da máscara e nem sequer seguem os protocolos de higiene sanitária. Inclusive, em bairros da cidade é geral ver funcionários atendendo clientes sem seguir os protocolos, algumas vezes flagrados principalmente no bairro Rudge Ramos e outros próximos, além de restaurantes e bares ultrapassarem os horários de funcionamento. Isso tudo devido à falta de fiscalização e de multas pelo não uso da máscara. Dá a sensação de que a cidade vive em mundo paralelo, sem a pandemia da Covid. Ou vive gigantesco surto de caxumba, devido à máscara servir de adorno para o queixo. E mais paradoxal ainda é ver pessoas saindo dos hospitais da região com uniformes de trabalho e depois utilizarem o transporte público porquê se isso não oferecesse risco à saúde dos demais passageiros.

Maria de Lourdes Barbosa dos Santos

São Bernardo