O jurisperito brasílico que virou operário em Portugal

Quando Eduardo Silva Medeiros se mudou para o país europeu, em 2015, o projecto era permanecer unicamente dois anos e meio; agora ele e a família não pensam mais em voltar ao Brasil.A rotina de Eduardo Silva Medeiros, de 44 anos, é regrada porquê a de qualquer operário. Depois de deixar as filhas, de 11 e 9 anos, na escola, ele caminha até uma fábrica de sistemas hidráulicos e bate o cartão. Entre 8h e 16h30 ele é uma engrenagem na traço de produção de onde saem descargas, bombas d’chuva e estruturas correlatas para torneiras e afins. Enquanto isso, ele pensa. “O que eu tenho de fazer, mecanicamente, me permite um luxo que é ter as oito horas de trabalho para pensar”, comenta o gaúcho, nascido na cidade de Santiago. “Às vezes fico até com pavor de pensar muito longe e não conseguir voltar.” Entre os pensamentos, está sua própria trajetória, é simples. E a felicidade de ter abdicado da possibilidade de, em suas próprias palavras, ter se tornado “um pobre varão rico” porquê jurisperito no Brasil. Em troca, está construindo uma vida mais tranquila na cidade de Aveiro, no setentrião de Portugal. A escolha de Eduardo tem sido muito generalidade a conterrâneos que querem trespassar do país. De tratado com dados do Ministério das Relações Exteriores, já são 276.200 os brasileiros que vivem no pequeno país europeu, ligado historicamente ao Brasil. Facilidades vão desde o linguagem a acordos que permitem o tirocínio de algumas profissões sem muitas dificuldades burocráticas. Portugal é, hoje, o segundo país no mundo com mais brasileiros. Mas, no caso de Eduardo, o pontapé inicial da mudança foi, na verdade, uma oportunidade acadêmica de sua mulher, a designer Cristiane. “Papai mora na rodoviária?” Em 2014, o jurisperito gaúcho enfrentava semanalmente um trajeto de quase 500 quilômetros para ver a família. Enquanto Cristiane e as filhas viviam em Caxias do Sul, o trabalho — porquê jurisperito de uma grande construtora — obrigava Eduardo a passar a semana em Rio Grande. “Todos os domingos, à noite, a Cris me levava para a rodoviária. Um dia, uma de minhas filhas perguntou: ‘mamãe, por que é que o papai mora na rodoviária e não em vivenda com a gente?’. Aquilo doeu muito”, recorda. Para piorar o cenário, a construtora onde ele trabalhava começava a se ver envolvida na megaoperação Lava Jato, que logo vivia seu auge. Em Rio Grande, as obras eram relacionadas à exploração do pré-sal. “Eu tinha um bom salário e, naquele momento, teria um bom acréscimo. Eles me ofereceram uma promoção, e financeiramente era aquilo que chamamos de irrecusável”, diz. Ao mesmo tempo, Cristiane, que era professora de uma faculdade privada em Caxias do Sul, estava no meio de um processo para fazer o doutorado na Universidade de Aveiro. O projecto era ficarem unicamente dois anos e meio, justamente o prazo em que ela conseguiria expelir os créditos. A família viveria de economias acumuladas. “No meio tempo, eu tentaria fazer um mestrado em ciências políticas”, conta Eduardo. Quando ele recebeu a proposta de promoção, Cristiane disse que “tudo muito, podemos protelar a teoria de Portugal”. Eduardo respondeu: “Zero disso, eu estou unicamente contando que já disse não à construtora.” Seus chefes, na era, argumentaram que unicamente um em um milhão recusaria tal vaga. “Lembro que meu pai [médico] perguntou o que eu iria fazer em Portugal, já que estava recusando essa melhora no trabalho. Eu respondi: ‘olha, eu varro o pavimento, eu limpo peixe, eu faço o que tiver de fazer'”, conta. “Eu sou tranquilo, não preciso de absolutamente zero.” Bilíngues em português Em 7 de abril de 2015, com as malas cheias de pertences e sonhos, os quatro desembarcaram em Portugal. “Trouxe também meu sotaque do pampa do Rio Grande do Sul, porque isso vai morrer e ser enterrado comigo”, comenta Eduardo. A adaptação foi oriundo. A escola das meninas, pública, a 50 metros de vivenda e a universidade a 500 possibilitou que o parelha fizesse tudo a pé ou de bicicleta. “E logo nos acostumamos com a segurança, caminhando à noite sem nos preocuparmos com carteiras, computadores, essa velha história”, pontua. “Uma silêncio de espírito.” As crianças rapidamente aprenderam a se enviar porquê os portugueses. “Se tornaram bilíngues em português, o brasílico em vivenda e o europeu na escola e com os amigos”, diz o pai. Dois anos depois, Eduardo já sabia que queria permanecer mais. Cristiane também sabia. Mas porquê ambos tinham o tratado dos tais dois anos e meio, ninguém ousava desrespeitar o combinado. “Estava com isso entalado na gasganete. Um dia, caminhávamos na praia e eu disse: Cris, tenho uma coisa para te revelar — por mim, não volto!”, relata. Uma vez que ela pensava o mesmo, o consenso foi automático. Mas logo era preciso que ambos procurassem empregos. Ela suspendeu o doutorado e arrumou trabalho em uma gráfica. Ele interrompeu os estudos de ciência política e foi tentar lucrar a vida com o que desse. Trabalhou porquê vendedor de planos telefônicos e de alarmes. Depois, conseguiu um posto em uma fábrica de pás eólicas. Agora, procura pela vivenda própria Em 2018, Cristiane conseguiu retornar ao doutorado, desta vez porquê pesquisadora remunerada. Dois anos detrás, Eduardo mudou de trabalho. Segue operário, mas agora em uma fábrica de sistemas hidráulicos. “Sinceramente, foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Primeiro, por testar um trabalho dissemelhante, eu nunca tinha feito zero além da advocacia no Brasil”, conta. “A outra vantagem é que quando eu bato o cartão e tiro as minhas luvas, não tenho preocupações extras: sou inteiramente da minha família, e isso é um luxo imenso.” Ele vê a profissão atual porquê um pouco temporário — ainda quer voltar aos bancos acadêmicos para reprofundar nas ciências políticas. Uma vez que a família, decidida a permanecer em Portugal, está em processo de buscar uma vivenda própria, o trabalho fixo é importante. “Agora que melhoramos de vida, adquirimos a capacidade de nos endividarmos. A credencial de ter trabalho efetivado, mesmo que seja numa fábrica, me deixa mais bonito para o gerente do banco. E logo estarei pedindo um financiamento imobiliário”, conta. Diariamente, das 8h às 16h30, esses planos também protagonizam os pensamentos de Eduardo. Responsável: Edison Veiga

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