Livro aponta causas do cume nível de estresse entre advogados

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RIO — Retratada com glamour em séries, filmes e novelas, a profissão de legista tem, na vida real, um lado sombrio quase incógnito. Foi para jogar luz sobre um mal escondido debaixo do tapete que a psicóloga Fátima Antunes escreveu o seu primeiro livro, “Estresse em advogados”, lançado recentemente pela editora Chiado Brasil. A inspiração veio do marido, o legista Maurício Alves Costa, que desenvolveu, ao longo dos anos, transtorno de sofreguidão e síndrome do pânico.

Uma vez que havia feito uma especialização em gerenciamento do estresse pela International Stress Management Association, a também rabino em psicologia social entendeu que era hora de tirar o tema do universo acadêmico e levá-lo ao grande público.

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Apesar da sua vivência familiar, durante as suas pesquisas Fátima se surpreendeu com o drama soturno dos advogados.

Livro “Estresse em advogados” indica fatores de risco para esta categoria profissional Foto: Divulgação
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— É generalidade que os profissionais desta categoria adoeçam, seja por diabetes, pressão subida, problemas renais ou cardíacos ou transtornos psíquicos. Leste quadro acontece porque o sucesso do trabalho de um legista não necessariamente depende dele. O lucro de uma desculpa depende, no término das contas, do entendimento do juiz, não necessariamente do desempenho de quem representou aquele processo. A pressão é grande, até porque, em muitos casos, a remuneração está associada à vitória da desculpa — salienta. — Outro fator de risco é que só se solicita o serviço do legista quando existe qualquer tipo de conflito. Numa combate de parelha, por exemplo, nascente profissional, sem o devido preparo para isso, tem uma função de mediador. O estresse é regular quando há qualquer tipo de questão jurídica em jogo.

Ela aponta saídas para que o legista não sinta negativamente no corpo os efeitos do seu ofício.

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— O legista é prestes durante a sua formação para lucrar sempre, mas é evidente que isso não acontece. Logo, é preciso aprender a mourejar com a frustração de perder uma desculpa. O estresse não tem relação direta com a especialidade, seja criminal, trabalhista ou de família. O que mais conta é a pressão pelo triunfo, até para prometer o retorno financeiro. Percebi que o legista autônomo adoece muito mais pelos efeitos do estresse do que aquele que é funcionário de uma empresa — ensina a psicóloga, nascida em Madureira, criada no Rio Longo e moradora da Tijuca.

A psicóloga Fátima Antunes planeja escrever outros livros sobre estresse Foto: Divulgação
A psicóloga Fátima Antunes planeja redigir outros livros sobre estresse Foto: Divulgação

 

Fátima reconhece que outras profissões dividem o topo da pirâmide com a advocacia quando o objecto é esgotamento físico e mental. Mas isso fica para um outro livro.

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— De março para cá, médicos e enfermeiros estão exauridos. Todas as profissões têm mazelas, e pretendo abordar isso em outras obras — observa. — O meu próximo livro, porém, será sobre os desafios das advogadas. Só posso antecipar que elas sofrem das mesmas questões que os homens, mas com um agravante que está, de certa forma, relacionado ao machismo presente, de um modo universal, no sistema judiciário.

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