Ibaixe Jr.: OAB-SP e eleições online: saúde pública exige medidas

Duas notícias recentemente divulgadas, referentes à eleição da classe, mancham o até logo presente protagonismo da OAB-SP em relação a questões de interesse público, neste caso, mais especificamente, a questão de saúde pública do momento: a pandemia provocada pelo coronavírus.

A primeira das notícias refere-se ao pedido feito por advogados paulistas à CPI da Covid-19 para que tomem medidas em face das eleições de classe deste ano, as quais até o momento estão previstas para serem presenciais. Os advogados demandam que o Senado Federalista convoque o atual presidente da citada seccional, a termo de que levante esclareça os motivos para a não realização de eleições online.

A segunda é a material que traz a insólita atitude do próprio sindicato dos funcionários da OAB-SP, que demandam contra a entidade judicialmente, por meio de ação social pública, para que esta seja obrigada por força de sentença a realizar eleições pela via remota, online.

Difícil se torna notabilizar qual das duas matérias traz mais vergonha ao jurisconsulto bandeirante, que, até muito pouco tempo, mesmo que não com a amplitude plenamente desejada, podia se orgulhar de pertencer a tal seccional.

A OAB-SP foi entidade que esteve adiante em grandes campanhas importantíssimas para o estado e o país, uma vez que, por exemplo, aquela que confrontava o trote estudantil violento, outra que divulgava a questão da inclusão social de pessoas portadoras de deficiências, outra ainda que lutava contra a falta de moral na política e tantas outras.

Hoje, ela não consegue enxergar a problemática fundamental da nossa sociedade, aliás, não só nossa, mas do mundo!

Não consegue a OAB-SP perceber que uma eleição, com a proporção que demanda a da nossa classe, irá exigir uma movimentação enorme de pessoas, com implicações não só nos locais de votação (que já são muitos), mas também no transporte público e no trânsito?

Será que não se consegue prever que advogados, cidadãos e transeuntes irão se cruzar numa oportunidade em que todos buscam se preservar do excessivo contato pessoal?

Enquanto uma segmento do poder público luta para convencer as pessoas da relevância do distanciamento social, enquanto nosso país luta contra a ignorância dos negacionistas e antivacinas, a OAB-SP se queda inerte, em origem esplêndido, esquecida de uma de suas principais funções, que é a guerra pela cidadania, pelos direitos de nossos conterrâneos bandeirantes e brasileiros e, atualmente, mais do que nunca, pela preservação da saúde de nosso próximo.

A eleição do dedo deveria ser a campanha de maior vigor a ser abraçada pela entidade, a provar e seguir sua atuação, que sempre esteve à cabeceira das pautas de interesse sítio e pátrio.

Não há nenhum impedimento lítico para isso, não há escassez de recursos tecnológicos para isso, não há discordância de interesse entre advogados, funcionários da OAB-SP e o cidadão para isso, não há escassez de fundamentos para que a eleição seja online.

Há exclusivamente inércia, desinteresse, desídia, medo daquele que deveria assumir diligentemente seu papel de líder sumo de nossa classe. Porém, ele está escondido sob o véu da burocracia, fingindo não ver o que qualquer meio de veiculação mostra e demonstra: que é a saúde pública que está em jogo!

Se zero for feito, se nenhuma providência advier externamente, seremos nós, os advogados, por culpa exclusiva de nosso representante paulista, os futuros próximos assassinos, a carregar conosco, num dia que seria rememorativo, a responsabilidade pela doença, pela dor e pela morte de nossos compatriotas.