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Folhapress

Doria enfrenta dissidência de Alckmin em SP em meio a crise vernáculo no PSDB

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Se nacionalmente o governador João Doria (PSDB) enfrenta uma espécie de rebelião interna do partido contra sua pronunciação para presidir a {sigla} e concorrer ao Planalto em 2022, em São Paulo também há um núcleo de oposição a seus planos, formado por entusiastas de Geraldo Alckmin (PSDB). A diferença é que Doria não detém maioria no diretório vernáculo do PSDB, enquanto controla o partido em São Paulo por meio de seu coligado e secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. Mas, mesmo em seu terreno, o estado de São Paulo, Doria não poderá implementar seu projeto para 2022 sem que haja uma elaboração com o ex-governador -ou até mesmo um enfrentamento num cenário de prévias. Doria trabalha para que seu vice, Rodrigo Garcia (DEM), assuma o governo do estado em abril de 2022, quando ele teria que se alongar do missão para concorrer à Presidência da República e, depois, em outubro, seja eleito governador. Já Alckmin quer voltar para o Palácio dos Bandeirantes, segundo seus aliados, mesmo já tendo ocupado a cadeira de governador por mais de 12 anos. Para Doria, o lugar de seu paraninfo político agora é no Congresso. Mas tucanos próximos a Alckmin afirmam que ele não tem essa vontade, que ele se encaixa no Executivo e que tem o recta de pleitear o governo. As chances de Alckmin dependem da transmigração ou não de Garcia para o PSDB. Com a implosão no DEM posteriormente a eleição para a presidência da Câmara, as portas do PSDB foram abertas para o vice de Doria e para Rodrigo Maia (DEM-RJ), esse último derrotado na tentativa de escolher um coligado ao comando da Moradia. A opção por Alckmin ao Governo de São Paulo ganhou força já que o DEM se aproximou do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pode não embarcar na candidatura de Doria, o que enfraquece a coligação entre governador e vice porquê contrapartida. Um almoço no último dia 3, que reuniu Doria e Alckmin na sede do governo paulista, deu o tom da situação entre eles: cientes do impasse, precisam dialogar, mas não há concordância por ora. Com Garcia também à mesa, o tema sensível da disputa pelo governo do estado não apareceu de forma explícita nem era essa a intenção. O invitação partiu de Doria, e a teoria foi a de manter a aproximação para que a decisão sobre 2022, quando tiver que ser feita, seja mais negociada e menos traumática. No almoço, Alckmin falou sobre a valia de que o PSDB mantenha o Governo de São Paulo em 2022 para que o partido preserve sua relevância vernáculo, considerando que a {sigla} murchou em estados porquê Rio de Janeiro e Minas Gerais. Enquanto aliados de Alckmin viram na fala uma resguardo de sua própria candidatura, o entorno de Garcia entendeu que o ex-governador incentivava sua ingressão no partido para concorrer porquê tucano. De lá pra cá, as costuras de Doria degringolaram. Foram mal digeridos entre os tucanos os planos do governador, revelados em jantar no Bandeirantes no último dia 8, de suceder Bruno Araújo (PSDB) na presidência da {sigla} e de fazer oposição declarada a Bolsonaro. Doria acusou Aécio Neves (PSDB-MG) de trabalhar pelo racha na bancada de deputados, o que ensejou dura troca de farpas entre eles. O governador ainda viu, nesta semana, a movimentação de diretórios estaduais, deputados e senadores em prol da permanência de Araújo e de que o governador Eduardo Leite (PSDB-RS) se candidate ao Planalto. O resultado da desastrosa pronunciação política do governador atingiu São Paulo. O ex-deputado Pedro Tobias (PSDB), histórico protector de Alckmin, já fala em disputar o diretório estadual, organizar prévias e até deixar o PSDB, se não houver espaço para que o ex-governador concorra. “Geraldo é o nosso candidato a governador. O PSDB não vai permanecer sem candidato, vamos fazer de tudo para ter prévias”, disse à reportagem, reclamando de postura fechada e não democrática do partido, em uma sátira a Doria. Porém mesmo tucanos próximos a Alckmin o veem com pouca força partidária diante de Doria em São Paulo e descartam a possibilidade de que ele banque uma disputa pelo diretório estadual. Afirmam, porém, que Alckmin é mais querido entre prefeitos do que Doria. A avaliação universal é a de que o estabilidade de forças do tucanato paulista passa pelo prefeito Bruno Covas, a quem Tobias chamou de principal líder no estado e disse que consultaria. Outro entrave da candidatura de Alckmin é o processo em que se tornou réu, em julho pretérito, na Justiça Eleitoral de São Paulo, sob delação de prevaricação e lavagem de moeda, além de caixa dois de campanha via Odebrecht. A delação se refere a pagamentos para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014, quando ele venceu eleições para o governo do estado. Segundo a Promotoria, o ex-governador recebeu R$ 2 milhões em espécie da Odebrecht na campanha de 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição. A resguardo do ex-governador afirma que ele nunca recebeu valores que não tenham sido declarados e que as acusações são falsas e injustas. Enquanto isso, Alckmin trabalha pela candidatura em seu estilo simples -está circulando no meio político e mantendo conversas com prefeitos. Quando defende a candidatura tucana em São Paulo não fala de si, mas cita nomes porquê Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto, e Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo. Se depender do grupo de Alckmin, as prévias serão necessárias mesmo que Garcia migre para o tucanato. Nesse cenário, porém, as chances do ex-governador são pequenas. Já com Garcia no DEM, a militância do PSDB fica mais sujeita à abraçar a tese da candidatura própria. Interlocutores de Garcia afirmam que ele deve esperar subtrair a poeira no DEM e no PSDB antes de determinar. Entre suas ponderações está o desgaste eleitoral do PSDB em São Paulo, sobretudo quando as pesquisas mencionam o nome de Doria. A placa de Garcia necessariamente teria um vice tucano. No entorno de Doria, os nomes cotados são Vinholi, o presidente da Parlamento, Cauê Macris, e a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen. É verosímil, no entanto, que a vice tenha que homiziar indicações de outros caciques paulistas, porquê o próprio Alckmin, Covas e os ex-senadores Aloysio Nunes e José Aníbal. Alckmin tenta voltar às urnas posteriormente um baque em 2018, quando terminou a eleição presidencial com 4,8%, o pior resultado tucano da história. Logo posteriormente a roteiro, em reunião do PSDB, o ex-governador chegou a interromper Doria e declarar “traidor eu não sou”. Ele foi o paraninfo da candidatura de Doria à Prefeitura de São Paulo em 2016, mas já em 2018 teve que contornar a pretensão presidencial do atual governador. Em relação a Bolsonaro, também houve mudança. Se hoje Doria é o opositor do presidente, há dois anos foi Alckmin quem destoou do governador para criticar o presidente, chamando-o de oportunista, enquanto o mandatário do Bandeirantes minimizou a fala. “Onde é que está a agenda de competitividade desse governo? Vamos ter coragem de criticar. Pôr o dedo na ferida”, disse Alckmin na convenção vernáculo tucana, em maio de 2019.

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