Exclusivo: Advogados de Trump tentam acordo com Justiça sobre investigação de Capitólio

As conversas tentam entender se Trump seria capaz de proteger as conversas que teve enquanto era presidente dos investigadores federais.

Nas últimas semanas, eles se moveram agressivamente para a órbita de Trump, intimando ex-funcionários da Casa Branca. Os investigadores querem compreender os esforços da equipe de Trump para derrubar a eleição de 2020 e buscam encontrar quais os advogados que o ajudavam nessas investidas.

As discussões ocorrem entre a equipe do ex-presidente e o escritório do procurador dos EUA em Washington, responsável pela investigação, e seu principal promotor, Thomas Windom, informaram as fontes.

As conversas não haviam sido relatadas anteriormente.

Nesta fase, as negociações estão focadas em compreender se quaisquer comunicações que as testemunhas ligadas ao gabinete de Trump tiveram com o ex-presidente podem ser mantidas em um grande júri criminal federal sob as alegações do privilégio executivo do republicano.

O Departamento de Justiça antecipa uma possível briga judicial com Trump sobre os privilégios executivos.

A questão surgiu quando intimações do grande júri foram emitidas para dois ex-funcionários do gabinete do advogado da Casa Branca e para o conselheiro-chefe e chefe de gabinete do ex-vice-presidente Mike Pence.

A equipe de defesa legal de Trump já o alertou que as acusações são possíveis, disseram fontes à CNN.

Alguns membros da equipe jurídica de Trump discutiram suas possíveis estratégias de defesa em pelo menos duas ocasiões nos últimos meses, de acordo com dois interlocutores, enquanto se preparam para novos desenvolvimentos na investigação do Departamento de Justiça e em uma investigação separada conduzida por autoridades da Geórgia sobre a interferência potencialmente criminosa de Trump nos resultados das eleições de 2020 do estado.

Trump questionou seus advogados se eles realmente acreditam que ele enfrentará acusações formais, relatou uma das fontes. O ex-presidente, no entanto, expressa uma forte dose de ceticismo de que será indiciado, acrescentou uma pessoa familiarizada com o assunto.

Outra fonte próxima ao ex-presidente disse à CNN que Trump também fez perguntas sobre uma possível acusação a membros de seu círculo íntimo, alguns dos quais acreditam que o presidente está preocupado com a possibilidade de acusações federais.

Mas uma pessoa próxima a Trump disse que ele está visivelmente mais engajado quando está conversando com amigos e conselheiros sobre as eleições de 2022 e sua possível campanha presidencial em 2024 do que durante os briefings sobre sua estratégia legal.

Essa pessoa descreveu o ex-presidente como desdenhoso em conversas sobre seus problemas legais, muitas vezes repetindo seu mantra de “caça às bruxas” enquanto afirma que as várias investigações que enfrenta são claramente conduzidas por oponentes políticos.

Um porta-voz de Trump disse em um comunicado à CNN que: “há claramente um esforço concentrado para minar os privilégios executivos e a relação advogado-cliente, que são vitais e constitucionalmente enraizadas, por meio de uma perseguição política partidária”.

“Como pode qualquer futuro presidente ter conversas privadas com seus advogados, conselheiros e outros conselheiros seniores se tal conselheiro é forçado, durante ou após a presidência, na frente de um comitê não selecionado ou por outra entidade, a revelar esses discussões privilegiadas e confidenciais?” questionou o porta-voz.

“O presidente Trump não será dissuadido por uma caça às bruxas ou por um tribunal canguru — expressão usada para um tribunal que ignora a lei ou a justiça — de continuar defendendo e lutando pela América, pela nossa Constituição e a Verdade”.

O Departamento de Justiça não respondeu a um pedido de comentário.

Mark Meadows pode ser uma testemunha chave

Nos últimos meses, o ex-presidente ignorou conselhos de alguns de seus assessores para evitar falar com ex e atuais assessores que se envolveram na investigação do comitê seleto da Câmara sobre o atentado de 6 de janeiro ou que podem se tornar parte da diligência criminal, contaram pessoas familiarizadas com o assunto à CNN.

Trump foi especificamente aconselhado a cortar o contato com seu ex-chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, cujas ações no dia da insurreição do Capitólio foram profundamente examinadas pelo painel da Câmara.

Dois dos ex-assessores principais de Meadows, Cassidy Hutchinson e Alyssa Farah Griffin, também criticaram muito Trump, com Hutchinson dando detalhes prejudiciais sobre as ações do ex-presidente em 6 de janeiro durante seu depoimento público perante o painel da Câmara em junho.

Hutchinson também está cooperando na investigação do Departamento de Justiça.

Alguns dos advogados de Trump acreditam que Meadows também pode estar na mira dos investigadores e estão preocupados que ele possa se tornar uma testemunha se for pressionado a cooperar na investigação, apontaram dois interlocutores.

Em resposta, o advogado de Meadows, George Terwilliger, disse à CNN na quinta-feira: “Tudo isso é especulação ociosa e desinformada, aparentemente de pessoas que sabem pouco, mas falam muito”.

O ex-advogado da Casa Branca Ty Cobb disse que Meadows está “perfeitamente posicionado para ser o John Dean dessa bagunça”, referindo-se ao ex-assessor de Richard Nixon que ofereceu testemunho público crucial durante as audiências de Watergate.

“A razão pela qual [Meadows] é valioso é também a razão pela qual ele está em perigo: ele estava basicamente na mão direita de Trump durante todos esses exercícios e participou de reuniões e telefonemas importantes”, explicou Cobb.

No entanto, de acordo com uma fonte familiarizada com o relacionamento dos dois, Trump e Meadows já se falaram várias vezes. Outra fonte próxima a Trump descreveu a relação como “não a mesma de antes” em comparação com o período em que serviam na Casa Branca, mas insistiu que ainda mantêm um relacionamento, mesmo quando Trump reclamou de Meadows em suas recentes conversas com outros aliados.

Meadows é conhecido por participar de eventos de arrecadação de fundos e eventos na propriedade do ex-presidente em Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, onde também ajudou a organizar um retiro de doadores em abril passado para o Instituto de Parceiros Conservadores, um grupo que ele administra com o ex-senador republicano, Jim De Mint.

A garantia do endosso de Trump para o candidato ao Senado dos EUA, Ted Budd , “foi a última vez que Meadows esteve realmente por perto do ex-presidente. Desde então, ele nunca foi uma grande parte da operação política ou do processo de pensamento [de Trump]”, disse uma segunda fonte próxima a Trump.

*Pamela Brown e Zachary Cohen, da CNN, contribuíram para este relatório