Entrevista: José Roberto Batochio, jurisconsulto criminalista

-

- Publicidade -

Em entrevista ao meato do YouTube do portal Brasil 247, o criminalista José Roberto Batochio, sócio do José Roberto Batochio Advogados Associados, disse que os procuradores do consórcio de Curitiba conspiraram contra os interesses nacionais sob possante influência norte-americana.

“Para que se implementasse esse tipo de operação no Brasil, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos treinou muitos procuradores e muitos juízes para difundirem essa filosofia de que caixa 2 é mais grave que estupro e do que assassínio. Porque esse numerário pode desabar em mãos de inimigos da América, e que essas pessoas poderiam explodir a América… Essa filosofia ficou impregnada nesses procuradores e juízes brasileiros que foram treinados”, afirmou. 

O jurisconsulto ainda falou sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e dos diálogos a que a resguardo do ex-presidente Lula teve aproximação que foram apreendidos pela PF no contextura da operação apelidada de spoofing. 

Leia alguns dos principais trechos:

- Publicidade -

Pergunta — Por que a OAB não se levantou contra a quebra da ordem democrática quando houve a deposição de ex-presidente Dilma Roussef? O que aconteceu com a OAB?
José Roberto Batochio — A Ordem dos Advogados do Brasil experimentou essas oscilações democráticas por conta da veto de alguns dirigentes que nem sempre tiverem um perfil que tivesse fidelidade as origens e posturas da OAB. Com referência ao impedimento da presidente Dilma Roussef, houve um golpe. Ela não praticou nenhum violação de responsabilidade que pudesse conduzir ao seu impedimento.

Na OAB, o ponto foi discutido no plenário. Exclusivamente uma bancada e dois votos de ex-presidente — o meu e o do Marcello Lavenere Machado — e de um mentor votamos contra o engajamento da Ordem quanto ao esteio ao impedimento de Dilma Roussef. Portanto nós fomos uma minoria. É preciso que a Ordem reencontre seus caminhos.

Pergunta — Você acredita que no horizonte a OAB irá rever o seu papel nesse processo?
Batochio — É muito difícil proferir por que é impossível prever a feição. Mas, se considerarmos os últimos 20 anos da OAB, vamos verificar que o atual presidente, o Felipe Santa Cruz, é o que mais perto chega do ideário e das tradições de nossa entidade de classe. Oferecido o seu compromisso com as ideias progressistas e a frequente discussão dos grandes temas nacionais. A gestão do Santa Cruz representa um passo no retorno aos bons e velhos caminhos da Ordem dos Advogados do Brasil.

- Advertisement -

Pergunta — O impeachment da ex-presidente Dilma foi influenciado por essas investigações criminais do guarda-chuva da operação “lava jato”. E isso atingiu o recta de resguardo. Esse ataque ao recta de resguardo no Brasil já vem de muitos anos. Gostaria que você falasse sobre a valor do recta de resguardo.
Batochio — Isso tem que ser contextualizado. A trajetória institucional de um país e a direção a que se destina depende de circunstâncias externas e não só internas. De certa maneira sempre existiu pátria hegemônica no nosso planeta. O Neil Ferguson, professor visitante de Harvard e em Oxford na Inglaterra, descreve isso em seus livros com uma precisão história e cientifica elogiável.

O conhecimento humano nasceu no oriente. Os árabes dominavam a astronomia, a alquimia, a matemática. E a China também. Enfim… E de uma certa maneira influenciavam as outras nações. A ciência e o conhecimento humano acabaram migrando para a Europa. Vamos sobresair na Europa a posição da Inglaterra. Eles dominavam os mares e saqueavam as riquezas do novo mundo. Depois participaram do tráfico de escravos. Depois foram contra esse tráfico e se dedicaram a outras atividades. Dominaram a Índia e a China até que com a insurreição desses países a Inglaterra acabou perdendo a sua preeminência. Essa preeminência se transferiu para os Estados Unidos.

Para que esse retrospecto histórico? Para provar que hoje essa pátria hegemônica quer que seus valores, a sua legislação e sua jurisdição sejam estendidas para todo o mundo. Isso eu pude ver na Câmara dos Deputados quando na Percentagem de Constituição e Justiça recebíamos diversos estudos norte-americanos de propostas para um Poder Judiciário para América Latina.

Efetivamente vivemos hoje em que não só os movimentos políticos são de inspiração externa, mas é óbvio que esse golpe contra a Dilma e essa injustiça contra o ex-presidente Lula tem notória influência norte-americana. Os Estados Unidos têm grande influência no nosso ordenamento jurídico e consequentemente no nosso Estado Democrátco de Recta.

- Publicidade -

Pergunta — Uma vez que foi provável montar um tribunal de exceção em solo brasílio. Sempre falamos que o Lula era um prisioneiro dos Estados Unidos em solo brasílio. Isso parecia contraditório, mas recentemente um dos procuradores disse que a prisão do Lula era um “presente da CIA”. Houve cooperação proibido com o FBI e com autoridades da Suíça. Isso teve uma pilar que foi de Curitiba para o tribunal federalista e depois para Brasília… Uma vez que foi provável instaurar uma jurisdição internacional dentro do solo brasílio e suspender garantias constitucionais? Outro dia o líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, disse que a presunção de inocência só foi suspensa para que o Lula fosse recluso. Alguns dizem que foi um código penal processual russo. Uma vez que se fez isso em um país porquê o Brasil?
Batochio — Os Estados Unidos têm um problema sério de estabilidade fiscal para manter a pax americana, esses tentáculos de influência em todo o mundo… É preciso de numerário. E eu venho notado que dada uma certa exaustão do tributário americano, eles optaram por um sistema heterodoxo de arrecadação. Eles passaram a utilizar a Justiça criminal porquê meio de recolher recursos e trazer divisas ao tesouro. É provável verificar na Justiça norte-americana um sem número de ações em que multas bilionárias são impostas contra empresas multinacionais porquê Toyota, Audi, Deutshe Bank… São muitas empresas que sofreram multas astronômicas sob pena de ver seus diretores sujeitos a uma ordem de prisão internacional.

Essa filosofia de arrecadação norte-americana está ligada também ao vestuário dos ataques do 11 de Setembro demonstrarem uma grande de fragilidade no sistema de resguardo dos Estados Unidos. E estudando porquê isso foi provável as autoridades de lá chegaram à desfecho de que isso só foi provável pelo financiamento, pelos recursos econômicos que esses inimigos dos Estados Unidos puderam ter a sua disposição para com três ou quatro aviões quase explodir o país atacando centros nervosos de decisão. Começou-se a partir daí, por meio da lei de resguardo do Estado norte-americano, a se exportar para o mundo uma orientação de que os ilícitos mais graves são o de origem econômica. Lavagem de numerário é apenada de forma mais grave que estupro no Brasil.

O Brasil é um país que tem o salário-mínimo de R$ 1.100 e temos multa em nosso Código Penal de US$ 1 milhão de dólares. Na legislação extravagante de combate às drogas temos multas de R$ 29 milhões. Eu não estou defendendo a minimização, mas isso não é uma veras harmonizável com a estrutura socioeconômica do nosso país.

Pergunta — A gente sente muito no Brasil por conta da devastação da imagem da Petrobras, mas outras empresas internacionais também sofreram e fizeram acordos de leniência. Ocorre que no Brasil além da penalidade econômica houve também a devastação do sistema político democrático. Foi uma operação muito mais complexa e bem-sucedida. Nesse sentido você diria que a “lava jato” foi uma operação que teve a finalidade drenar recursos do Brasil para os Estados Unidos e aqueles que nela se envolveram podem ter cometido violação de lesa-pátria?
Batochio — Eu acho que sim. E conspiraram contra os interesses nacionais indiscutivelmente. Um dos propósitos foi sim de natureza econômica. Tanto é que a Petrobras pagou uma multa de US$ 3 bilhões à Justiça norte-americana. E eu estou falando do conciliação com o governo norte-americano e não das ações de classe que os investidores da Bolsa de Novidade York seguiram demandando por um tempo.

Mas, o vestuário é que, sobretudo a devastação de um setor muito importante para nossa economia que é o da Construção Social. O Brasil era o principal exportador desse tipo de serviço para África, para o Oriente… As construtoras brasileiras indiscutivelmente eram vitoriosas quando concorriam com empresas estrangeiras nessas grandes concorrências. Esse setor foi completamente dizimado pela “lava jato”.

Temos a privatização do pré-sal. A relevância internacional da Petrobras também foi absolutamente erodida por esse movimento. E isso tem uma origem mais remota. Para que se implementasse esse tipo de operação no Brasil o Departamento de Justiça dos Estados Unidos treinou muitos procuradores e muitos juízes para difundirem essa filosofia de que caixa 2 é mais grave que estupro e do que assassínio. Porque esse numerário pode desabar em mãos de inimigos da América, e que essas pessoas poderiam explodir a América… Essa filosofia ficou impregnada nesses procuradores e juízes brasileiros que foram treinados.

Pergunta — No dia de hoje a gasolina subiu 8%, o óleo diesel 6% e o preço dos combustíveis oscila conforme a cotação internacional feita em dólar. Ontem a Petrobras vendeu a refinaria Landulpho Alves na Bahia por US$ 1,5 bilhão. Os petroleiros afirmam que essa refinaria vale ao menos U$ 3 bilhões. Hoje os jornais informam que a Petrobras vai vender mais uma refinaria no Paraná. Daqui a pouco a Petrobras vira um ovo que é só a casca. A gema vem sendo transferida para o capital internacional. Pouca gente sabe da sua relação com Leonel Brizola. De que você além de um grande jurista é também um grande patriótico. Quando as pessoas vão enxergar que o Brasil vem sendo saqueado? Que essa operação empobreceu drasticamente o Brasil?
Batochio — Aos que cooperam nesse processo dolosamente. Quanto aos brasileiros que traem o seu país e cooperam para o deslanche desse processo de saque, essa questão não terá solução. Sempre estarão dispostos a fazer esse jogo por interesses econômicos ou de outra ordem.

Quanto aos que agem de forma culposa, por falta de consciência, a responsabilidade de mudar o quadro é da prensa. Os órgãos de notícia social é que tem o papel de levar a consciência desse vestuário que dizima as riquezas nacionais. E a prensa nem sempre se mostra isenta nesse paisagem. Há setores que são coniventes com isso.

Pergunta — Uma coisa é a denúncia hipertrofiada. Outra coisa é um juiz fazer segmento do time de denúncia porquê se viu agora ou pelo menos de maneira tão explicita porquê o do ex-juiz Sergio Moro, que contesta no STF o uso dos diálogos da operação “spoofing”. São conversas pornográficas e mostram porquê o réu é transformado em um inimigo a ponto de os procuradores zombarem do ex-presidente por ele ter perdido um dedo em um acidente de trabalho e o chamam de “nove”. Qual a sua expectativa em torno da suspeição no STF?
Batochio — Acho que essa prova tem uma posição peculiar nesse contexto. Temos a operação “lava jato” cuja relatoria cabe ao ministro Edson Fachin porque ele mudou de turma para ser o relator uma vez que estava na 1ª Turma. Com a morte do Teori, a relatoria da “lava jato” deveria permanecer na 2ª Turma para o ministro que viesse. Já a operação “spoofing” é uma outra coisa. Nasceu de uma investigação voltada para apurar a atuação de hackers que haviam violado a intimidade de autoridades.

O que aconteceu é que na operação “spoofing” a PF apreendeu um montão de mensagens entre os membros da “lava jato”. O que se deu aproximação a resguardo do ex-presidente Lula foi apreendido pela PF, que manteve a calabouço de custódia e que transcreveu esses diálogos de maneira solene. Uma vez que objeto do violação da violação das autoridades grampeadas. Isso para “lava jato” é encontro fortuito de prova. Essas provas foram produzidas de forma eventual em outra operação. O que se discute no STF sobre o aproximação e a publicidade desses diálogos não tem zero a ver com a operação “lava jato” que o ministro Fachin relata. Ele pode resolver se essas provas podem ou não ser usadas no contextura da “lava jato”, mas impedir que esses diálogos sejam publicizados é um raciocínio que não lhe compete.

A “lava jato” foi montada para ser parcial. Sob inspiração norte-americana e com propósitos deliberados. Com objetivos políticos e institucionais já pré-concebidos e exportados pelos Estados Unidos.

Pergunta — O que você diria para um jovem jurisconsulto? Para aqueles que estudam o Recta e viram nesse caso que o Recta foi transformado em um instrumento de dominação imperial de um outro país contra o Brasil? Quando o Recta é usado porquê instrumento de saque das riquezas nacionais por um outro país a pretexto de combater a depravação?
Batochio — Eu diria que não há em uma democracia. Em um regime urbano e de liberdade força que sobreponha a força do Recta. Rui Barbosa já dizia que não há salvação fora da lei. E eu quero proferir que não há cultura, não há democracia, não há liberdade, não há Justiça social, não há paridade de oportunidades fora do ordenamento jurídico. Portanto, a mediação dos conflitos dentro da sociedade pela Justiça realizando o Recta Material é o único — pode não ser o ideal —, mas é o único caminho para que não nós afastemos da cultura. Mantenha sua crença no Recta. A Justiça e a operação do Recta é que pode preservar as liberdades de cada um de nós.

- Publicidade -

Compartilhe

Recent comments