Entenda a nova estratégia da Itaúsa

Foto: Divulgação

O grande evento que marcou a história recente da Itaúsa (ITSA4) foi a cisão, em 2021, entre as ações do Itaú e a parte investida por ela na XP. Essa iniciativa ocorreu com o objetivo de separar os resultados entre as duas empresas e, consequentemente, a influência que a XP tinha, devido ao seu tamanho, nos resultados do banco. Como grande parte do portfólio de empresas que a Itaúsa possui era e ainda é composto por ações do Itaú, a holding, na separação, recebeu uma grande porção das ações da XP —para ser mais exato, 15% do capital total da XP.

Bem, não demorou muito para que a gestão da Itaúsa viesse a público dizer que, para eles, a posição recebida da XP não era estratégica, que a companhia faria o desinvestimento gradual e utilizaria tais recursos para a aquisição de outros negócios. E assim foi feito. A posição, que antes era de 15% do capital total da XP, em dezembro de 2021 já era de 13%; mais recentemente, no fato relevante de 6 de julho, havia passado para 10%.

Para contrabalançar esse desinvestimento feito em XP, a companhia finalmente revelou seu próximo objetivo de investimento: a CCR, uma empresa de concessões de infraestrutura e mobilidade já listada em Bolsa e que é bem conhecida pelo mercado.

O investimento inicial foi feito por meio de uma grande transação em bloco, dando saída para um dos maiores investidores da companhia, a Andrade Gutierrez Participações, para a entrada da Itaúsa junto com o Votorantim.

Com isso, dos 15% da CCR que a Andrade Gutierrez detinha, 10% ficarão com a Itaúsa. O preço? R$ 2,9 bilhões. Mas, para conclusão, a transação precisará ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica); não deverá sofrer veto, porém.

No entanto, apesar de essa história animar e chamar a atenção, para quem já era investidor da companhia ela não foi tão feliz assim. Isso porque a XP, desde que houve a separação, vem se desvalorizando rapidamente, chegando a acumular uma queda de 56% hoje.

Em nossa carteira Dividendos Extremos, que incluía a Itaúsa em 2021, optamos por trocá-la pelas ações do Itaú que nos protegeriam desse possível movimento da XP. Quem realizou essa operação teve um resultado muito melhor. De lá para cá, as ações do Itaú caíram 9%, mesma queda do Ibovespa, enquanto as ações de Itaúsa caíram 18%.

A questão agora é: vale a pena sair de Itaú e voltar para Itaúsa, após toda essa diferença gerada no período? Bem, essa pergunta será respondida lá dentro da série Dividendos Extremos em nossa próxima edição. Portanto, não perca.

Nícolas Merola, analista CNPI na Inv Publicações.

 

 

 

 

 

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