É crucial não macular a honra de magistrados de Goiás que são decentes e competentes

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Orloff Neves, Roberto Horácio e Amélia Martins de Araújo dignificam a Justiça goiana e do Brasil. Por que tentar enlamear quem tem um histórico positivo?

Demóstenes Torres

Por um período, tive a honra de ser o interlocutor dentro do Senado Federalista dos mais variados atores da cena jurídica vernáculo. Ministros, desembargadores, membros do Ministério Público, defensores públicos, procuradores do Estado, delegados de Polícia e tantos outros me procuravam para potencializar poder, instituição e categorias.

Lembro-me, particularmente, de ter sido buscado pelo presidente do Supremo Tribunal Federalista para sensibilizar o portanto governador de Goiás a fabricar a Defensoria Pública no Estado, já que cá e Santa Catarina eram os remanescentes do vácuo institucional, pois os carentes eram atendidos por advogados dativos. Essa bandeira foi capitaneada por Anderson Supremo, portanto procurador do Estado, hoje desembargador.

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Pintura O Grito, de Edvard Munch

Assim, tive a honra de saber o ministro Menezes Recta, primeiro atuando no Superior Tribunal de Justiça, depois no Supremo. Era o príncipe da gentileza. Ia buscar pessoalmente seus visitantes na garagem e depois os conduzia de volta. No gabinete eram tantas as mesuras que seus convidados logo percebiam que nunca poderiam retribuir esse tratamento.

Um dia, periódico especializado em fofocas e escândalos publicou um “furo” onde se “revelava” que o ministro, já no Supremo, utilizava salas vip do STJ, inclusive para parentes e amigos, além de outros benefícios, previstos num ato normativo interno do Tribunal, junto a Infraero. Era um amontoado de presunções e calúnias. O mais puro esgoto direcionado a afetar a honorabilidade de um varão de muito.

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Fui visitá-lo, encontrei-o moralmente destruído. Disse a ele que aquilo não daria em zero. Ele objetou: “Já deu, as pessoas acreditam”. Em menos de um ano, entrou em profunda depressão, desenvolveu um cancro bastante ofensivo e morreu.

Pintura de Remedios Varo

Na semana passada, o programa “Fantástico” trouxe uma “explosivo”:  Padre Robson (Robson de Oliveira Pereira) teria pagado propina para desembargadores goianos a termo de lucrar uma demanda de terreno, segundo “revelação” inserida num áudio fornecido ao programa pela própria Polícia social de Goiás.

Na gravação, um miserável, Cláudio Pinho, que se intitula legisperito, diz que precisa de 750 milénio reais para lucrar a demanda, que era uma realização de dívida, tendo que remunerar 500 milénio para a relatora e partilhar o restante entre outros dois desembargadores.

Quatro questões se impõem
1
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Quem é o legisperito Cláudio Pinho? Liguei para vários advogados e se trata de uma espécie de “Conceição” (música de Jair Amorim e Dunga, imortalizada na voz de Cauby Peixoto): “Ninguém sabe, ninguém viu”. Duvido que ele tenha entrado em qualquer gabinete de um magistrado goiano;

2

Por que o legisperito menciona três desembargadores, quando a elaboração naquele momento era de dois desembargadores e um Pinguim (termo que em Goiás se refere a juiz-substituto em 2º intensidade)?;

3

A segmento adversária perdeu a desculpa definitivamente? Não, só se decidiu que o título executivo era ainda inexigível, abrindo a possibilidade para discussão em primeiro intensidade;

4

É crível se subornar toda uma Câmara com um de seus integrantes distribuindo um saco de quantia entre os demais?

Pintura de Edward Hopper

A história é bastante fantasiosa e tem uma vez que objetivo pressionar o STJ a destrancar uma investigação contra Padre Robson, jogada por terreno pelo Tribunal goiano. Para tanto a nossa gloriosa Polícia Social, utilizada no caso uma vez que “cavalo de Santo”, a serviço de “forças incultas”, não se importou em enxovalhar a honra de magistrados. O método lavajatista morre no Brasil, mas em Goiás está a plenos pulmões.

Embora não tenha relacionamento, conheço pessoalmente os três desembargadores.

Orloff Neves

Fui apresentado a Orloff Neves quando eu era promotor de Justiça em Goianésia e respondia também em Ceres, onde era ele titular. Professor na Universidade Federalista de Goiás é um varão humílimo, sua principal diversão era jogar “canastra” e, se qualquer patrimônio oculto tem, deve ter ido pra Marte com a novidade sonda espacial americana. Pela segunda vez é claro de maledicência, sempre com conversa fiada de terceiros.

Roberto Horácio

Roberto Horácio, o pinguim, foi meu colega de faculdade. De vez em quando passava no termo do dia na moradia de seus pais na Vila Novidade, a caminho da escola, e comia uma inolvidável músculos de porco frita na panela em grandes pedaços com mandioca à segmento, feita por sua mãe que era grande cozinheira, uma vez que a minha. Intelectual refinado, sempre gostou de literatura, música, teatro. Tem o poder da concisão, grafar tudo em poucas palavras, claramente. Vive para suas filhas, não bebe e tem uma vida regrada e sem luxo. Que apareça alguém para lhe atirar uma pedra, sua vida é imaculada.

Amélia Martins de Araújo

Deixei por último a desembargadora Amélia Martins de Araújo por ser ela a relatora do processo em questão. É inatingível, inatacável e dona de uma imensa vocação para a magistratura. Se fosse paulista, poderia se manifestar que é uma juíza “quatrocentona”, tal o seu intensidade de sisudez e seriedade.

Isso não vai dar em zero, mas já deu, uma vez que disse o ministro Menezes Recta. As pessoas acham que é verdade. A Polícia Social investigou desembargadores (pode isso Arnaldo?) e não encontrou zero. Mas o projecto deu perceptível, foi pedida a rombo de investigação no STJ, que resultará em arquivamento. E daí? “A dor da gente não sai no jornal” (Haroldo Barbosa).

Tenho terror de que aconteça com eles o que se deu com o grande Menezes Recta. É hora de reagir ao desânimo, ao desalento, à depressão, mormente a mais atingida, que pode ser abençoada com os versos de Mário Lago e Ataulfo Alves: “Amélia é que era mulher de verdade”.

Demóstenes Torres é legisperito. Foi procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Goiás e senador.

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