Descaso com o contingência – Quotidiano do Grande ABC

O Brasil se aproxima de 550 milénio mortes pela Covid-19. Somente em São Paulo foram 132 milénio vítimas do vírus. Em que pese a vacinação em curso, a imunização ainda está aquém do ideal, principalmente porque a porcentagem de pessoas com duas doses é baixa. Fora isso, existem pessoas que se portam porquê se a pandemia fosse mero contingência e relativizam tanto seus efeitos quanto as consequências.


Em São Paulo dois acontecimentos, um em abril de 2020 e outro neste último termo de semana, comprovam o descaso com o contingência. Enfim, em ambos um jurisconsulto resolveu dar sarau para elevada quantidade de pessoas, e a maioria sem máscaras e com aglomeração inevitável. Na primeira, em seu apartamento, sarau que teve a presença da polícia dada a quantidade de pessoas. Já a segunda, ainda mais sofisticada, teve a presença de mais de 500 pessoas e a cobrança de R$ 1.600 por sujeito com recta a pocket show de dupla sertaneja.



O descaso se constata não só com o desrespeito à aglomeração e a elevada concentração de pessoas, mas sim com a possibilidade de aumento de perda de vidas em pandemia que ainda não terminou e não tem data para ser controlada. Enquanto muitos morrem outros festejam.


Quando as autoridades sanitárias chegaram para obstar o lugar, uma das responsáveis esbravejou: ‘Vocês deveriam revistar as favelas, isso sim!’ Outro descaso com o contingência, porquê se a pandemia fizesse diferença entre ricos e pobres. E o pior: os ricos têm de ter passe livre para fazer o que muito entenderem. Portanto, se pegarem o vírus têm condições para remunerar por sua eventual internação.


A fiscalização apurou que a maioria das pessoas não usava máscara, o que somente atesta o descaso com o contingência, pois muitos jovens estavam presentes.


Da forma porquê está a legislação vigente, as providências que os agentes poderiam fazer eram lacrar o estabelecimento e utilizar multa ao seu proprietário. Porém, porquê no lugar funciona escritório de advocacia, não se questiona que o mesmo será liberado em pequeno espaço de tempo. Pela capacidade econômica do anfitrião, a multa não terá o efeito socioeducativo ao qual se propõe, assim, a consequência será de insignificante efeito prático.


Casos porquê o dessas festas refletem a falta de empatia e de urbanidade das pessoas neste momento.  Simples está que o ‘nós’ de sociedade deixou de importar para preponderar o ‘eu’, e nascente ser individual não se importa com terceiros, com quantos morrem, têm sequelas, porque, no termo das contas, é tudo mero contingência.



Antonio Baptista Gonçalves é jurisconsulto, pós-doutor, doutor e rabino pela PUC/SP e presidente da percentagem de criminologia e vitimologia da OAB/SP – subsecção de Butantã.

PALAVRA DO LEITOR

Aproveitadores – 1

Mais uma humilhação sofre o povo brasílio imposta pela classe política deste País. Quando o que se esperava era que se acabasse com o fundo partidário, nosso Congresso, porquê verdadeiro predador, sanguessuga, escalpelador, não só não acaba porquê triplica o valor dessa anormalidade (Política, ontem). São R$ 5,7 bilhões jogados pelo ralo, enquanto a maioria da população passa inópia, desempregada, sem ter o imprescindível para sobreviver. Falta até mesmo moradia digna, porquê muito mostrou nascente Quotidiano com a mãe que não tem mansão para cuidar do rebento que vai ter subida do hospital (Setecidades). Estamos nas mãos desses abutres, aproveitadores. Político no Brasil, em todas as esferas de poder, só serve para isso. Quanto mais puderem roubar do povo, o farão. E nós seguimos calados, inertes. Eles se aproveitam de nossa pacificidade.

Julio Nunes

São Caetano

Aproveitadores – 2

É, de trajo, tapa na rostro da sociedade viver verba partidária com quantia público. Mesmo porque, essa não chega na ponta. Eu, por exemplo, fui candidata a vereadora em Mauá na última eleição e não tive nenhuma verba do partido, inclusive gostaria de saber quem teve chegada à verba do MDB na cidade. Em País que ainda existem pessoas sem chuva potável e privada para se usar com pundonor, esse tipo de verba é verdadeiro escândalo. Sem narrar que aumentaram de R$ 2 bilhões para mais de R$ 5 bilhões. Está aí um motivo grandioso para levar o povo às ruas para protesto principal. Vergonha dos nossos governantes.

Rosângela Caris

Mauá


Aproveitadores – 3

Bons tempos quando ‘fundão’ era sinônimo de alunos um pouco mais descolados e extrovertidos nos fundos da sala de lição. Hoje, significa muita grana jogada no esgoto. Sim, porque financia campanha eleitoral dos ‘ratos’ de plantão. Acreditem: em 2018 o valor era R$ 1,7 bilhão; 2020, R$ 2 bilhões; e, para 2022, pasmem, R$ 5,7 bilhões, quase o triplo. O que justifica isso? Bolsonaro, para eleger-se presidente, gastou em torno de R$ 2 milhões. Não existem mais campanhas com showmícios e outras extravagâncias. Hoje temos internet, redes sociais e tecnologia à disposição. Não justifica tamanho desperdício em País em que milhões precisam de ajuda para alimentarem-se. É muita grana nas mãos de partidos e políticos para lá de suspeitos. Para um mísero centavo supra da inflação na correção do salário mínimo não há quantia, dizem. Dizem também não ter grana para investir em instrução, saúde e por aí afora. Uma vez que encontram tanto quantia para campanha eleitoral? A classe política nos envergonha e é a principal responsável pela miséria do País. É cancro a ser combatido. Lembre-se disso e pense muito antes de dar seu voto.

Mauri Fontes

Santo André


Pelo triplo – 1

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negociou obtenção da vacina Coronavac com empresários pelo triplo do preço. E a negociação não fazia secção de nenhuma agenda com organismos do governo. É mais um ponto negativo constatado pela CPI da Covid no Senado. O quadro está cada vez mais confirmando irregularidades. Acusados precisam ser punidos.

Uriel Villas Boas

Santos (SP)

Pelo triplo – 2

Neste lamaçal de tentativas do desgoverno de Jair Bolsonaro de comprar vacinas superfaturadas, novidade grave denúncia, que envolve Eduardo Pazuello, que negociava com intermediários, já com entendimento e compromisso assinado para o ministério comprar 30 milhões de doses da Coronavac. É de estarrecer que o negócio estava em curso mesmo o governo sabendo que o Instituto Butantan é o único representante lícito no Brasil para negociar com a chinesa Sinovac. E também espantoso e criminoso é que ele (que não faz zero sem que seu gerente Bolsonaro mande) iria remunerar pela ração preço humilhante de US$ 28, ou R$ 163,08, contra os US$ 10, ou R$ 51,10, que foi vendida pelo Butantan ao governo. O triplo do preço! Ou seja, governo que comete violação contra a humanidade.

Paulo David

São Carlos (SP)