Delegada registrou testemunho sem ouvir testemunha, sugerem mensagens da Lava-Jato | Política

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A resguardo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federalista (STF) uma novidade remessa de mensagens trocadas entre os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Os advogados estão analisando as conversas em seguida o ministro Ricardo Lewandowski autorizar o entrada ao material coletado pela Operação Spoofing.

No documento de 118 páginas, a resguardo de Lula destaca trechos de conversas, hackeadas em 2019, em que procuradores dizem que uma delegada da Polícia Federalista (PF) registrou o testemunho de uma testemunha que não chegou a ser ouvida.

Mensagens de 26 de janeiro de 2016 dão a entender que houve irregularidades no processo de tomada de depoimentos. “Entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de testemunho uma vez que se tivesse ouvido o faceta, com escrivão e tudo, quando não ouviu zero… Dá no mínimo uma falsidade…”, disse o procurador Deltan Dallagnol, portanto coordenador da força-tarefa.

— Foto: EBC

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Na resposta, o procurador Orlando Martello sugere conversar com a delegada “e ver qual estratégia ela prefere”. “Talvez até, diante da notícia, reinquiri-lo de tudo. Se não fizermos um tanto, cairemos em descrédito”, disse.

Ao falar do caso, os procuradores citam o nome de “Erika”, sem o sobrenome. “Concordo. Mas se o colaborador e a resguardo revelarem uma vez que foi o procedimento, a Erika pode transpor muito queimada nessa… pode dar falsidade contra ela… isso que me preocupa.”

Uma das delegadas que atuou na Lava-Jato foi Erika Marena. Em 2018, ela passou a fazer segmento da equipe do ex-juiz Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os advogados de Lula, no entanto, não apontam quem seria a delegada citada no documento.

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Para os defensores do petista, os novos documentos reforçam “a prática de diversas e graves ilegalidades pela Lava-Jato”.

As mensagens analisadas pelos advogados, trocadas por meio de aplicativos de celular, foram obtidas por hackers, que depois tornaram-se branco da PF, em 2019. O material apreendido pela Spoofing traz diálogos entre integrantes da força-tarefa e também deles com Moro. Em dezembro, Lewandowski autorizou que a resguardo de Lula tivesse entrada a todo o material, decisão que foi mantida pela Segunda Turma da Galanteio.

A partir desses relatórios, os advogados de Lula tentam provar que houve parcialidade nas investigações e nos julgamentos das ações contra o ex-presidente. Os advogados buscam anular no STF as condenações nos processos do tríplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. Moro e os procuradores não reconhecem a autenticidade nem a validade das mensagens.

Outras alegações da resguardo

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A resguardo do ex-presidente afirma ainda que Lava-Jato adotou uma vez que estratégia “emparedar” juízes dos tribunais superiores para alongar aqueles que pudessem reformar decisões dos juízes de primeiro proporção ou para “gerar constrangimentos por meio de investigações ilegais”.

Uma das mensagens indicaria, na tradução dos advogados, a possibilidade de ter ocorrido investigação patrimonial ilícito de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela Receita Federalista.

Eles também voltaram a indicar a suspeita de que a força-tarefa da Lava-Jato procurou agências estrangeiras fora dos canais oficiais, conforme exigido pela legislação.

Em relação aos tribunais superiores, os advogados dizem que as novas mensagens mostram que a “estratégia e tentar comprometer a independência dos magistrados que iriam investigar recursos da Lava-Jato era ainda mais grande e envolvia também investigações clandestinas (e ilegais) sobre familiares de membros dos Tribunais Superiores, para tentar atingir indiretamente os próprios ministros”.

“No STJ está se fechando com a história de que vamos buscar os filhos dos ministros que advogam”, diz uma mensagem de 23 de agosto de 2016. Em seguida, um procurador afirma que o “maior risco hoje ainda é uma nulidade no STF, mais do que uma opinião pública contrária”.

Deltan defende que a força-tarefa deveria ir adiante com essa iniciativa porque, na sua visão, “só há chance de nulidade se perdermos a opinião pública”.

Para os advogados de Lula, “as mensagens analisadas revelam, com todas as letras, que a Lava-Jato fazia investigações ilegais de ministros dos Tribunais Superiores e manipulava a ‘opinião pública’ uma vez que estratégia de conduta”.

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