Defesa de diarista que família diz ter sido presa por engano entra com pedido de revogação de prisão

Os advogados responsáveis pela defesa da diarista Fabiana Trajano da Silva, de 42 anos, que segundo sua família foi presa por engano no Rio, disseram ter entrado, nesta quinta-feira, com um pedido de revogação da prisão no Tribunal de Justiça da Paraíba. Fabiana foi presa por conta de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça quele estado.

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Segundo o advogado Pedro Guilherme Fernandes de Andrade, o objetivo da medida é a de que sua cliente seja libertada o mais rápido possível. Fabiana é evangélica e não tem antecedentes criminais. Há quatro dias, ela divide uma cela com outras detentas na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A unidade é considerada a porta de entrada do sistema penitenciário do Rio de Janeiro.

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O resultado do pedido feito pela defesa da diarista só será conhecido após o Ministério Público e o juízo da 7ª Vara Criminal da Comarca de João Pessoa, na Paraíba, se manifestarem sobre o assunto. O prazo para isso ocorrer é de até cinco dias.

Apesar de nunca ter estado na capital paraibana nem ter sido informada sobre a existência de um processo, Fabiana teve a prisão decretada em novembro de 2021, referente a um caso de extorsão ocorrido em 2015.

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— Cinco dias para analisar a inocência de alguém é muita coisa. Minha cliente está péssima. Já entramos em contato com a Justiça da Paraíba. É preciso que o Ministério Público e o juízo da 7ª Vara Criminal de manifestem sobre o nosso pedido. Temos esperança de que isso ocorra ainda nesta sexta-feira para que a Fabiana seja colocada em liberdade — disse o advogado.

O processo que corre na Justiça da Paraíba trata de uma ocorrência do chamado “golpe do falso sequestro”. Um homem que mora em João Pessoa recebeu uma ligação informando que a filha dele estaria de posse de criminosos. Na ocasião, exigiram o pagamento de R$ 5 mil como resgate. O valor acabou sendo reduzido para R$ 1 mil, depositados em uma conta-corrente na Caixa Econômica Federal, cujos dados remetiam a Fabiana, o que resultou na vinculação do nome da mulher ao caso.

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A defesa da diarista disse que a mulher havia fechado a conta antes de o crime ocorrer. E que, como ela havia perdido os documentos, alguém teria usado os dados para reabrir a mesma conta. Os saques teriam sido feitos em caixas eletrônicos, mas segundo os advogados que defendem Fabiana, não há no processo imagem do real responsável por sacar o dinheiro.

Fabiana foi presa, na última segunda-feira, ao se apresentar espontaneamente na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense ( DHBF), em Belford Roxo. Dias antes, a mulher havia sido procurada em casa, em Ramos, na Zona Norte do Rio, por agentes da especializada, que investiga o assassinato de um sobrinho dela, acontecido meses atrás.

Apenas na delegacia, ela soube da existência do mandado de prisão, expedido na Paraíba, em seu nome.

— Fui vê-la ainda na delegacia, ela estava chorando muito, triste demais. No dia seguinte, quando voltei levando roupa, ela já estava um pouco mais tranquila. Minha mãe é evangélica e tem muita fé, então acaba se apegando a isso. Mas, desde que ela foi para o presídio, ainda não conseguimos visitá-la, só o advogado. A gente fica ainda mais apreensivo, até por sabermos o tipo de pessoa que fica em um lugar como esse — desabafa o operador de movimentação e armazenagem João Victor da Silva Costa, de 22 anos, filho único de Fabiana.

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Os advogados de Fabiana anexaram ao processo fotos dela no ambiente de trabalho, em uma empresa da qual ela foi desligada há cerca de um mês. Desde então, a mulher vinha atuando como diarista para complementar o valor obtido com o seguro-desemprego. A defesa também incluiu nos autos informações da carteira de trabalho da cliente, que nunca teve nenhum problema com a lei ou com a polícia.

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Enquanto a diarista permanece atrás das grades, parentes e amigos de Fabiana vêm organizando uma campanha nas redes sociais para denunciar o caso. Acompanhadas da hashtag #JustiçaparaFabiana, as postagens alertam que se trata de “uma mulher presa injustamente, por um crime que não cometeu” e frisam que ela “vive para a família”, tendo sempre trabalhado “formalmente e informalmente”.

— Minha mãe conhece muita gente, até por conta da proximidade com a igreja, e todo mundo sabe da índole dela. Estamos todos sem chão, mas ao mesmo tempo buscando forças para enfrentar isso tudo — diz João Victor.