Consumidores, advogados e abutres (ou serão anjos?) | Opinião

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Cá há uns anos, quando pela primeira vez ouvi falar em fundos abutre (vulture funds, na frase inglesa), pensei tratar-se da última receita ambientalista para proteger essa ave de injusta má reputação. Mas cedo vi entrar em cena o primeiro abutre. Tratava-se de um veemente sexagenário norte-americano, membro da mais fina fidalguia da East Coast e que, numa idade em que outros, menos dotados de espírito empreendedor, se dedicam à filantropia, havia encontrado aquilo que esperava vir a ser a sua penosa dos ovos de ouro. Zero mais, zero menos do que financiar os honorários dos advogados ingleses que representavam um vendedor de armas “traído” por um governo da América Latina. Se o vendedor conseguisse receber os milhões a que dizia ter recta, o nosso abutre recuperaria o investimento, mais juros e um modesto uplift (prémio) de 30%. Não sei no que a coisa deu, mas anos depois um banqueiro colega fez-me saber que boa segmento dos bancos internacionais mais respeitados já tinha um fundo abutre. Percebi que o tema era sério.

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