Compre tecnologia nos EUA e venda Bolsa no Brasil: a receita de grandes gestores de fundos multimercados

(Arte: Leonardo Albertino/InfoMoney)

SÃO PAULO – O investidor interessado nas melhores alternativas disponíveis hoje no mercado deveria centrar seu foco nas oportunidades globais, em privativo nas empresas de tecnologia dos Estados Unidos, e ter uma ração muito maior de cautela com a Bolsa lugar.

Essa ao menos foi a percepção transmitida por três grandes gestores de fundos multimercados – Márcio Appel, da Adam Capital, Carlos Woelz, da Kapitalo, e Felipe Guerra, da Legacy – durante quadro da Expert XP 2021 na manhã desta quinta-feira (26), que se reflete em portfólios muito mais construtivos com o cenário internacional do que com os ativos domésticos.

“Nesse momento, vemos um nível de oportunidade no mercado americano uma vez que não víamos há muito tempo”, afirmou Márcio Appel, sócio fundador e CEO da Adam Capital.

Segundo ele, diante do nível veloz de desenvolvimento tanto da economia americana quanto do lucro das grandes empresas de tecnologia do país, o risco dos multimercados está nos maiores patamares desde 2016, quando a gestora iniciou suas atividades, de modo a tirar proveito das oportunidades em profusão. “Hoje é quase impossível perder quantia com essas companhias”, afirmou Appel, em referência às big techs americanas. “Na incerteza, compre bolsa americana”, defendeu o técnico.

O impulso que a pandemia deu para os negócios digitais ainda está muito longe de estar adequadamente refletido nos preços, avaliou o gestor da Adam, que citou uma vez que maior risco no radar eventos geopolíticos não mapeados.

Sócio fundador e CIO da Legacy Capital, Felipe Guerra disse compactuar com a visão positiva para os mercados internacionais, com destaque para teses seculares de investimento nos Estados Unidos e na Europa, em setores uma vez que e-commerce, marketing do dedo, mídias sociais, meios de pagamento e biotecnologia.

O risco de aperto monetário pelo Federalista Reserve (Fed, o banco meão dos Estados Unidos) não é, na visão do CIO da Legacy, motivo para rebate por segmento do investidor. Se os juros americanos de veste subirem é porque a economia dos Estados Unidos estará indo de vento em popa e as ações vão estar em preços ainda mais altos, prevê Guerra.

“As grandes oportunidades estão no cenário extrínseco”, afirmou o CIO, acrescentando que vê a Ásia com um pouco mais de preocupação no fronte global, em meio ao risco de desaceleração de desenvolvimento da China.

Carlos Woelz, sócio fundador da Kapitalo, por sua vez, afirmou que também tem escoltado com atenção as notícias que vêm do Oriente, mas com vistas a aproveitar a volatilidade para entrar em ativos de subida qualidade a níveis atrativos.

Woelz disse ainda que, na gestora, a carteira dos multimercados está hoje com o risco um pouco inferior da média histórica, frente aos sinais de redução no ritmo de desenvolvimento das grandes economias, mas que, assim uma vez que os pares, também vê com bons olhos nomes de tecnologia uma vez que Facebook e Google, além de teses globais de caráter cíclico.

Brasil

Já quando o tema passou para as oportunidades que os gestores enxergam no mercado brasílio, o tom da conversa foi outro.

Appel, da Adam, disse que carrega já tem bastante tempo ações de exclusivamente duas empresas locais, da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Vale (VALE3), por entender que estão em preços excessivamente descontados, e disse não ver mais zero que lhe desperte interesse na Bolsa brasileira. “O Brasil vem diminuindo sua previsibilidade”, afirmou Appel, que fez menção ao risco político com as eleições de 2022.

Guerra, da Legacy, afirmou que carrega ações da Petrobras nos portfólios dos multimercados, por julgar uma vez que o ativo mais barato do mercado lugar, mas não os papéis da Vale, em meio às incertezas sobre o desenvolvimento chinês e seu impacto para a cotação do minério de ferro.

Quanto ao resto da Bolsa lugar, o CIO da Legacy também se mostrou muito pouco entusiasmado. “Em universal, quando os juros sobem, favorecem a moeda e desfavorecem a Bolsa”, afirmou Guerra. Segundo ele, uma combinação vendida (que ganha com a queda) no dólar e na Bolsa brasileira, em um horizonte de 12 a 18 meses, tem grandes chances de entregar retornos polpudos.

Já o sócio da Kapitalo explicou que tapume de dois terços do risco dos multimercados macro está no mercado lugar, sendo boa segmento dessa alocação em apostas vendidas em ações. “Estamos bastante pessimistas com setores mais ligados à demanda interna”, disse Woelz.

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