As eleições na Ordem dos Advogados

A Ordem dos Advogados terá eleições em Novembro. Além do bastonário, serão eleitos órgãos nacionais e regionais, abarcando funções executivas e disciplinares.

Os momentos eleitorais são dados ao frenesim e ao dinamismo. Os candidatos tentam captar a simpatia dos eleitores. Também assim será desta vez.

Os últimos actos eleitorais foram marcados por grande crispação, o que, não honrando ninguém, tem o efeito de apoucar a profissão aos olhos da opinião pública.

Longe de ser um exclusivo da Ordem dos Advogados e da advocacia, é sabido que, em todas as circunstâncias e em todos os lugares, há certos discursos que incentivam divisões, geram um ambiente de ódio e colocam uns contra os outros. Todos sabem o resultado disso: as entidades (quaisquer entidades) vão sendo dilaceradas, perdem reputação e prestígio; os contendores envolvem-se (ou são envolvidos) em lutas fratricidas, perdem decoro e sobriedade; a educação e a cortesia cedem ao insulto e à boçalidade.

Será ingenuidade desejar que as eleições na Ordem dos Advogados fujam a isto?

Vejamos: contados os votos, havendo vencedores e vencidos, a vida continua, todos os advogados continuarão a sê-lo e a Ordem dos Advogados continuará a ser casa comum de todos os advogados, enquadrando todas as formas de exercer a profissão.

Isso significa negar a discriminação entre colegas, não podendo haver profissionais de primeira e profissionais de segunda, significa que são igualmente legítimas todas as formas de advogar, em prática individual ou em sociedade, em pequenas ou em grandes estruturas organizativas, em escritórios de advocacia ou nas instalações de associações ou empresas, exercendo patrocínio oficioso ou não, no litoral ou no interior, nos grandes centros urbanos ou em pequenas localidades, no território continental ou nas ilhas. Esta pluralidade é a riqueza da nossa advocacia, sendo, aliás, a única que responde às múltiplas solicitações do quotidiano da vida em comunidade.

Exercer funções dirigentes na Ordem dos Advogados é a forma de cada um de nós retribuir parte daquilo que recebeu da sua Ordem, é estar disposto a trabalhar em benefício de todos, com a noção do carácter temporário da função e com espírito de serviço, o que exclui meros interesses subjectivos ou projectos pessoais.

É de esperar que todos estejamos à altura das nossas responsabilidades!

Presidente do Conselho Regional do Porto da Ordem dos Advogados