Ambev superará principal duelo? Analistas se dividem em seguida pressão de custos impactar de novo a companhia no 2º tri

SÃO PAULO – A Ambev (ABEV3) reportou na manhã desta quinta-feira (29) seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2021.

Os resultados, a princípio, se apresentaram uma vez que bastante sólidos, com a companhia mais que dobrando o seu lucro, chegando perto dos R$ 3 bilhões.

Apesar disso, e embora tenha apresentado um poderoso volume de vendas no período, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o grande duelo para a companhia permanece o da pressão de custos, que teve aumento da ordem de 20% no período, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, levando o dispêndio por hectolitro a subir mais rápido do que os preços médios.

Por conta disso, em seguida os resultados, os papéis da cervejaria registram queda na sessão desta quinta-feira (29), chegando a ter baixa de 4,62% na mínima do dia. Às 12h20 (horário de Brasília), a baixa era de 2,77%, a R$ 16,85.

Olhando para frente, os analistas de mercado seguem divididos. Enquanto alguns seguem otimistas com a tese, de olho em melhorias no porvir e estratégias de inovação da companhia, apesar dos custos mais elevados, há quem defenda que o cenário é reptador e que as despesas devem tarar ainda mais no próximo ano.

Em relatório, o Itaú BBA escreve que a expectativa é de que a pressão de custos continue nos próximos trimestres, mas em um ritmo de prolongamento mais lento na base anual de confrontação.

“Esperamos que essa tendência diminua no restante de 2021, mas o cenário de pressão de custos deve continuar a gerar alguns obstáculos para a recuperação da lucratividade da Ambev”, escreve o time de estudo.

Segundo o banco, apesar de esperar uma reação negativa do mercado ao balanço, o Itaú já tinha rebaixado os papéis para recomendação de market perform (em traço com o mercado) em seguida o balanço do primeiro trimestre e, com isso, já estava esperando resultados menos animadores.

Um ponto a ser engrandecido, de conformidade com os analistas, é que as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram devido aos investimentos em novas iniciativas (uma vez que Zé Delivery e BEES).

“Se essas iniciativas derem frutos no médio e longo prazo, será uma segmento fundamental da tese de investimento, e vamos monitorar isso de perto”, conclui o Itaú BBA.

Copo meio pleno

Na avaliação do Bradesco BBI, a pressão de custos que a Ambev está enfrentando com as matérias-primas será positivo para os resultados no porvir, uma vez que está permitindo que a empresa aumente os preços – que historicamente se fixam ou continuam a aumentar mesmo quando os custos caem –, impulsionando os ganhos futuros.

“Esperamos que os preços das commodities agrícolas caiam 21% em 2022 e mais 7% em 2023, em seguida um aumento esperado de 17% para 2021”, escrevem os analistas, em relatório.

Neste cenário, o banco diz ver a relação preço sobre lucro (P/E) da Ambev em 20 vezes para 2022, inferior da média histórica, de 23 vezes, caindo para um múltiplo atrativo de 17 vezes em 2023, oferecido o consolação dos custos de insumos.

O Bradesco BBI manteve sua recomendação outperform (supra da média do mercado), com preço-alvo estimado de R$ 21.

Para o Credit Suisse, apesar dos ventos contrários da pressão de custos e um envolvente de consumo ainda incerto no Brasil, a Ambev continua a se mostrar muito posicionada para velejar em meio a turbulências, superar o desempenho da indústria (uma vez que tem sido o caso) e gerar caixa.

O banco manteve sua recomendação outperform com preço-alvo estimado de R$ 21,50.

Inovação uma vez que destaque

Apesar da pressão de custos, a XP diz confiar que a companhia continua a superar seus pares diante de iniciativas de inovação (BEES, Zé Delivery, Donus), capilaridade mercantil, base de clientes atomizada e processo contínuo de desenvolvimento de portfólio, principalmente no core-plus.

Em relatório, os analistas escrevem que a inovação tem desempenhado um papel cada vez mais importante à medida que a plataforma BEES aumenta sua presença e já é utilizada por mais de 70% dos clientes ativos no Brasil, enquanto o aplicativo Zé Delivery entregou 15 milhões de pedidos no trimestre e a Donus atingiu 80 milénio clientes.

“São inúmeros os desafios de pequeno prazo, mas seguimos otimistas com a AmBev uma vez que a empresa tem conseguido mudar seu DNA e edificar novas avenidas de prolongamento porvir, apesar de passar por uma das piores crises já registradas”, escrevem os analistas da XP.

A vivenda reiterou sua recomendação de compra para os papéis da Ambev, com preço-alvo de R$ 20 para o término de 2022.

Mas nem todos estão otimistas…

Em relatório divulgado nesta quinta, o Morgan Stanley escreve que apesar de boa segmento do mercado financeiro ter oferecido destaque para a receita da Ambev no segundo trimestre, que veio poderoso, a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na {sigla} em inglês) decepcionou e prejudicou o resultado no período.

A margem Ebitda recorrente ficou em 14,8% no trimestre, inferior do oferecido já deprimido de 17,8% um ano antes e da expectativa do Morgan Stanley, de 17,7%.

O banco americano manteve sua recomendação underweight (inferior da média do mercado) diante de um cenário ainda reptador para a companhia, de redução da demanda por cerveja no Brasil, maior capacidade de concorrentes e investidores voltando suas atenções para os custos da empresa em 2022.

Na avaliação dos analistas, ainda que a companhia tenha sido transparente e abordado a questão dos custos do segundo trimestre nas conversas com investidores, o Morgan permanece cauto com relação às despesas esperadas para o próximo ano. O preço-alvo para os ativos é de R$ 13,80, o que representa uma queda de 20% em relação ao fechamento da véspera.

Assim, analistas de mercado, no universal, seguem divididos com a tese de investimentos na companhia. De quatorze casas que cobrem o papel, quatro têm recomendação de compra para os ativos, sete de manutenção e três de venda. O preço-alvo médio é de R$ 17,32, o que corresponde a uma quase firmeza em relação ao fechamento da véspera, de R$ 17,33.

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