Aluno da FGV que chamou colega preto de ‘servo’ nega delito em interrogatório e diz que teve celular roubado, afirma jurisperito | São Paulo

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À Justiça, Metropolo declarou que teve o celular roubado na quadra do incidente e não fez a postagem ofensiva, disseram os advogados da vítima ao G1. Para eles, o criminado mudou a versão, já que, antes do processo judicial, durante uma percentagem de moral na faculdade, o estudante confessou a autoria do ato, chorou e pediu desculpas.

“É interessante que ele mude a versão justamente num momento uma vez que esse, em que será julgado. Lá no início dos fatos,, antes do processo, houve uma Percentagem de Conduta na FGV que ouviu os alunos que participaram do caso e ele pediu desculpas, chorou, disse que se desculparia com o João Gilberto (a vítima), o que não aconteceu. Agora, no interrogatório, ele diz que não foi ele quem fez a postagem, que o celular tinha sido roubado”, afirmou o jurisperito da vítima, Daniel da Silva.

O G1 procurou a resguardo de Gustavo Metropolo para comentar o tópico, mas não recebeu retorno até a última atualização dessa reportagem.

O jovem é criminado de tirar uma foto de um colega preto na faculdade e compartilhar em um grupo de conversas pelo aplicativo com a frase: “Achei esse servo no fumódromo. Quem for o possessor avisa!”.

Na quadra, Gustavo chegou a ser suspenso da faculdade por três meses mas, agora, alegou à juíza Paloma de Assis Roble, da 15ª Vara Criminal de São Paulo, que teve o celular furtado, segundo informaram advogados que participaram da audiência. O interrogatório já havia sido remarcado outras duas vezes.

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Segundo a resguardo da vítima da postagem, o roubo do celular, registrado na região da Consolação, no Núcleo de São Paulo, foi muito depois do caso de racismo.

“Simplesmente as datas não batem, o roubo ocorreu muito depois do caso e ele já tinha confessado na FGV que foi ele quem fez a postagem e escreveu os dizeres”, disse Daniel.

No percurso do processo, professores que participaram da percentagem da FGV que apurou o caso foram ouvidos uma vez que testemunhas e confirmaram que Gustavo confessou o delito. Não houve registro escrito do interrogatório do réu, mas a sessão foi gravada pela Justiça, informou o jurisperito.

“Eles (os professores) reafirmaram esses eventos que aconteceram antes do interrogatório, que ele confessou o delito. Agora, num momento em que ele deve ser sentenciado, ele muda a versão”, acrescentou o jurisperito.

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Depois ouvir o criminado, a juíza deu um prazo de 5 dias sucessivos para cada uma das partes se manifestar sobre o caso, apresentando uma posição final. Em seguida, ela irá fazer a sentença, dizendo se o réu é ou não culpado pelo delito.

Punição para evitar novos casos

A vítima, João Gilberto Lima, que também era aluno da instituição, foi informado sobre a publicação por meio da coordenação do seu curso (Gestão Pública). Na quadra, o aluno registrou um boletim de ocorrência por injúria racial no 4º Província Policial da Consolação, na região médio de São Paulo.

Antes do interrogatório final, a vítima afirmou ao G1 que buscava a punição pelo delito para evitar que novos casos de racismo se repitam.

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“A preço de um caso uma vez que esse é estimular as pessoas a irem detrás de fazer a denúncia. Porquê eu falo, é alguma coisa recorrente que acontece bastante no Brasil tanto que a mídia agora está trazendo à tona. É importante as pessoas não ficarem caladas e buscarem os seus direitos, é o que fica. Eu não tenho pretensão de rematar com o racismo, infelizmente, eu não tenho esse poder de rematar com o racismo, de rematar com o preconceito em si. Racismo não é mais graçola, racismo é um delito”, disse ele em entrevista em 2020.

Foto compartilhada por aluno da FGV; ele foi criminado de racismo e suspenso da faculdade. — Foto: Reprodução/Redes sociais

Quando houve o delito, o estudante disse ainda que recebeu muito pedestal dos colegas e amigos. “Eu continuei cursando eu tive bastante pedestal, principalmente, do coletivo, do diretório acadêmico e outras entidades que também me deram pedestal, além da coordenação do meu curso que é governo pública”, disse.

A Polícia Social indiciou o responsável da publicação pelo delito de racismo e injúria racial. Na visão do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa) a publicação não atingiu unicamente João Gilberto, mas toda população negra, por isso, o delito de racismo.

O Ministério Público também ofereceu denúncia acusando o jovem de ambos os crimes. O entendimento da promotora Luciana Frugiuele , que fez a denúncia, de que, por ter praticado a discriminação em um grupo de WhatsApp, o criminado cometeu os dois crimes: racismo por meios de notícia social e injúria racial. De pacto com a denúncia, o responsável da publicação praticou racismo, pois praticou o preconceito e discriminação contra a raça negra e injúria racial, pois ofendeu a honra subjetiva de João Gilberto Lima.

Agora, um novo promotor atua no caso. O G1 pediu a posição do Ministério Público, que informou que o promotor só irá se manifestar em seguida explorar os autos do processo e apresentar as alegações finais (uma posição anterior ao julgamento), o que deve ocorrer na próxima semana.

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