África do Sul: Advogados de Jacob Zuma contestam julgamento virtual | NOTÍCIAS | DW

Retomou nesta segunda-feira (19.07), o julgamento do vetusto Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, indiciado de depravação e branqueamento de capitais.

O vetusto estadista está estagnado há quase duas semanas indiciado pelo Tribunal Constitucional de desacatos, por isso está a ser ouvido virtualmente, a partir da prisão de Estcourt.

Os seus advogados entendem que o julgamento online é inconstitucional, por isso exigem que o julgamento seja prorrogado, por mais por duas a três semanas.

Thabani Masuku, um dos advogados de Jacob Zuma, observa que devido às ultimas agitações no país, que já provocaram mais de 200 vítimas mortais e a pandemia da Covid-19, ainda não estão criadas as condições para que o seu constituinte se faça presente ao tribunal. 

“Ele [Jacob Zuma] tem o recta a estar presente em tribunal, a seguir os argumentos que estão a ser apresentados, sejam eles argumentos factuais ou legais. Quer estejam no papel ou não. Tem recta a sentar-se com os seus advogados para seguir o que se está a passar numa sala de tribunal”, argumenta Masuku.

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Não há premência de julgamento presencial

Um pedido que parece não fazer sentido para o magistrado do Ministério Público sul-africano, Wim Tengrove, que diz que “não há justificação para qualquer julgamento presencial, muito menos para o interrogatório judicial largo e livre exigido pelo sr. Zuma”.

E, por essa razão, no entender de Tengrove, “não há premência de qualquer julgamento presencial, por isso que é lícito e permissível que o juiz decida hoje sobre o caso nesta plataforma virtual”.

O Juiz do caso, Piet Koen, garantiu que esta terça-feira (20.07) tomará uma decisão sobre o pedido dos advogados de Zuma. Mas, Koen diz: “Não prometo que será com razões, mas provavelmente com razões a seguir mais tarde. Mas darei a minha decisão amanhã às 10:00”.

Zuma é indiciado de 16 fraudes, suborno e roubo, relacionadas com a compra de equipamento militar a cinco empresas de armamento europeias, em 1999, quando era vice-Presidente.

Zuma tará recebido também subornos do obreiro de armas francesismo Thales relacionados com os controversos contratos de obtenção de armas, no valor de quatro milhões de rands, tapume de 235.000 euros. 

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Entretanto, na sua primeira aparição em tribunal em maio, Zuma negou todas as acusações e considerou-as de uma vingança política.

Dedo arguidor contra Zuma

Enquanto isso, muitos cidadãos nas ruas de Joanesburgo afirmam que “Zuma é corrupto. Eles prenderam-no porque ele é corrupto. Por isso, ele deve permanecer na prisão e ser tratado porquê outros que estão presos por depravação”.

E outro cidadão lembra: “Oriente país não pertence a Zuma, é nosso. Votámos em prol destas pessoas e hoje estão a manducar sozinhas”.

“O que Zuma está a fazer, é um desperdício de moeda e tempo do Governo”, entende outro sul-africano. 

Depois das agitações posteriormente a detenção do ex-estadista, as autoridades sul-africanas reforçaram a segurança nas proximidades do Supremo Tribunal na cidade de Pietermaritzburg, capital da região de Zuma, KwaZulu-Natal, onde decorre o julgamento, por temer mais tumultos.

O balanço solene aponta que mais de 200 pessoas foram mortas e mais de 2.500 presas, nos tumultos da semana passada.