Advogados de suspeito investigado em desaparecimentos no AM são procuradores municipais; prefeitura nega relação com envolvidos | Amazonas

Além do procurador de Atalaia do Norte, Ronaldo Caldas da Silva Maricaua, o PGM Davi Barbosa de Oliveira, do município vizinho Benjamin Constant, também vai integrar a defesa de Amarildo. O suspeito deverá passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (9).

Em nota, a prefeitura de Atalaia do Norte informou que o Maricaua foi procurado pela família de Amarildo para defender o suspeito, atuando como advogado particular.

Além disso, a administração municipal destacou que não há qualquer impedimento ou incompatibilidade que impeça Ronaldo de exercer suas atribuições legais.

“Vale ressaltar que o município possui um número limitado de advogados, com apenas dois profissionais do ramo residindo na cidade”, diz o documento.

Por fim, a prefeitura diz que não tem medido esforços em apoio às buscas disponibilizando efetivo da Defesa Civil, além do fornecimento de combustível, alimentação e hospedagem às forças de segurança presentes no município.

O g1 também tenta contato com a prefeitura de Benjamin Constant.

De acordo com o Comando de Policiamento do Interior (CPI) da Polícia Militar, o Amarildo, conhecido como ”Pelado”, foi localizado na comunidade São Gabriel, uma vila a poucos quilômetros da comunidade São Rafael, onde Bruno e Phillips foram vistos pela última vez, no domingo (5).

Ele teria sido visto por ribeirinhos trafegando em uma lancha logo atrás da embarcação dos dois desaparecidos no dia em que sumiram.

Ainda segundo as autoridades, o motivo da prisão, porém, não tem relação com o desaparecimento. Ele tinha munição de uso restrito e uma quantidade de droga em seu poder quando foi encontrado e, por conta disso, acabou autuado em flagrante.

A Polícia Civil e a Polícia Federal abriram inquéritos para apurar o caso. Até essa quarta (8), seis pessoas tinham prestado depoimento. Além de Amarildo, a polícia colheu informações de cinco testemunhas.

Segunda maior reserva do país, a Terra Indígena Vale do Javari, onde os dois desapareceram, é palco de conflitos típicos da região: tráfico de drogas, roubo de madeira e avanço do garimpo ilegal.

Ainda no domingo, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) começou as buscas. Sem obter sucesso, a organização indígena acionou na segunda-feira as autoridades e divulgou nota à imprensa comunicando o desaparecimento dos dois.

Mapa mostra onde jornalista e indigenista desapareceram na Amazônia — Foto: Arte/g1

Desde então, diversos órgãos federais estão envolvidos na operação para tentar encontrá-los. Agentes da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) participam das buscas, além da Marinha e do Exército.

Na segunda-feira, o governo do Amazonas anunciou o envio de bombeiros, policiais civis e militares para reforçar a procura.

*Colaborou Alexandre Hisayasu, da Rede Amazônica.

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